Atores, escritores, jogadores de futebol, nenhum grupo estava imune às barbaridade da Ditadura Pinochet
Publicado em 15/02/2023, às 20h55 - Atualizado em 18/04/2023, às 17h45
Nesta semana, uma pesquisa feita por profissionais forenses apontou que o poeta chileno Pablo Neruda, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, foi morto por envenenamento. Falecido em 23 de setembro de 1973, a história oficial apontava que ele havia sido vítima de um câncer de próstata e desnutrição.
Entretanto, a morte de Neruda nunca foi bem aceita por grande parte de sua família e até mesmo do povo chileno. O que levantava essa desconfiança era sua amizade com Salvador Allende.
Em 11 setembro de 1973, um golpe dado por Augusto Pinochet depôs o presidente socialista eleito democraticamente. Neruda, crítico ferrenho da brutal ditadura chilena, faleceu 12 dias após o governo militar chegar ao poder.
Mas Pablo Neruda não foi o único perseguido por Pinochet. Cineastas, escritores, jogadores de futebol, nenhuma classe estava imune. Conheça 5 pessoas que foram alvo da ditadura chilena:
Cineasta, Miguel Littín tinha ideais contraditórias à ideologia da ditadura de Augusto Pinochet. Devido aos seus pensamentos, acabou sendo exilado pouco depois do golpe militar.
Littín só voltou ao Chile em 1985, ou seja, 12 anos depois — importante ressaltar que a ditadura Pinochet só acabou em 11 de março de 1990.
+Ditadura Pinochet: O emblemático exílio do cineasta chileno Miguel Littín
Ainda em meio ao governo militar, portanto, Miguel Littín retornou ao Chile com o objetivo de gravar, de forma secreta, um documentários sobre as barbáries cometidas por Augusto.
Autor de ‘Cem Anos de Solidão’ e ‘Amor nos Tempos de Cólera’, o colombiano Gabriel García Marquez, o Gabo, também foi alvo do regime autoritário chileno. Não por acaso, a história de García Marquez e Miguel Littín se entrelaçam.
Afinal, a saga do cineasta foi amplamente retratada no romance ‘A aventura Clandestina de Miguel Littín no Chile’. Como se pode imaginar, a ditadura de Pinochet não gostou nenhum pouco da premissa da obra e apreendeu cerca de quinze mil exemplares que passavam pelo porto de Valparaíso. Enfurecido, ele mandou que os livros fossem destruídos.
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Atacante do Colo-Colo, Carlos Caszely sempre foi um admirador de Allende. No mesmo ano do golpe de Pinochet, Caszely deixou o país rumo à Espanha, onde atuaria pelo Levante.
Após um bom início na equipe Granote, voltou ao seu país natal no ano seguinte, onde se encontrou com a delegação chilena que se preparava para a Copa do Mundo — sediada na Alemanha Ocidental.
Ao descobrir que sua mãe havia sido torturada, porém, sabia que a situação no país não estava nada fácil. Para complicar, Pinochet havia realizado uma festa de despedida aos atletas. Todos o cumprimentaram na ocasião, com exceção de Caszely.
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Após cerca de quatro anos na Espanha, voltou ao Colo-Colo antes de se aposentar em uma Cerimônia no Estádio Nacional do Chile. Na ocasião, levou sua mãe ao evento.
Quando ela apareceu na televisão aberta por todo o país, relatou os horrores da tortura que sofreu. O ato foi fundamental para a população votar no plebiscito que tiraria o poder dos militares.
Professor de jornalismo na Universidade do Chile, Victor Jara foi um dos importantes nomes do movimento da Nueva Canción. Membro do Partido Comunista, era, obviamente, contrário à ditadura instalada por Pinochet.
Porém, logo após ao golpe, foi preso e enviado ao Estádio Nacional de Santiago. O local foi palco para detenções e torturas.
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Estima-se que cerca que 400 mil pessoas passaram por lá e por volta de 400 pereceram no local. Jara foi uma delas, fuzilado por 44 tiros disparados pelos oficiais.
Nascido em Santiago em 1975, Pedro Pascal é filho do médico de fertilidade José Balmaceda Riera e da psicóloga Verónica Pascal Ureta — ambos apoiadores de Allende. A matriarca, ainda por cima, é prima de Andrés Pascal Allende. Como se pode imaginar pelo nome, Andrés era parente de Salvador, mais precisamente seu sobrinho.
Além do mais, também foi líder do ‘Movimento da Esquerda Revolucionária’, grupo guerrilheiro urbano dedicado à derrubada da ditadura militar. Por todas essas, seus pais foram considerados inimigos do regime.
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Nove meses após Pedro nascer, eles buscaram refúgio na Embaixada da Venezuela em Santiago, onde, mais tarde, conseguiram asilo na Dinamarca. Posteriormente, a família se mudou para os Estados Unidos. A família de Pedro Pascal só estava ‘liberada’ para voltar ao Chile quando ele já tinha oito anos.
O primo da minha mãe foi oposição ao regime militar, mas havia um grande distanciamento entre ele e meus pais. Ainda assim, ajudar algumas pessoas a se esconderem os colocou em apuros", revelou Pedro à Time em 2007.
“Minha irmã e eu nascemos no Chile e fomos criados nos Estados Unidos, e meus irmãos mais novos nasceram nos Estados Unidos e foram criados no Chile depois que meus pais voltaram em 1995”, completou.