Atividade vulcânica obrigou centenas de pessoas a deixarem a região — fenômeno ainda está longe de acabar
No dia 15 de setembro, o vulcão Cumbre Vieja, que fica na Ilha de La Palma, no arquipélago das Canárias, na Espanha, entrou em alerta amarelo após cerca de 50 anos adormecido.
O portal MetSul Meteorologia divulgou que as atividades sísmicas, até então, eram consideradas moderadas — algo que não era visto há muito tempo.
Com uma iminente erupção, uma preocupação passou a fazer parte de regiões costeiras das Américas, o que inclui o Brasil, visto que a desestabilização da ilha poderia fazer com que um tsunami atingisse esses locais.
A série de ondas, potencialmente, poderia fazer das regiões Norte e Nordeste as mais afetadas. O fenômeno também poderia chegar ao litoral de Santa Catarina.
"Existem diversos estudos já publicados sobre essa possibilidade de tsunami. É uma hipótese real, e ela aconteceria caso houvesse uma erupção explosiva", explicou o pesquisador Carlos Teixeira ao UOL.
No dia 19, o Cumbre Vieja entrou em erupção, o que ocasionou terremotos com magnitude 3,8 na região, segundo informou o Instituto Geográfico Nacional Espanhol. Relembre o episódio que marcou 2021 e seus desdobramentos após quase dois meses.
O vulcão Cumbre Vieja entrou em erupção no dia 19 de setembro. O fenômeno causou não só uma nuvem de fumaça, como também emitiu cinzas vulcânicas pelo ar.
Horas antes do início das atividades, moradores que estavam doentes e animais já haviam começado a evacuar a região, que sofreu com terremotos de magnitude 3,8.
Na segunda-feira, 20, os primeiros sinais de destruição por conta do vulcão começaram a aparecer. À AFP, um porta-voz do governo das Ilhas Canárias afirmou que “muitas casas” foram “destruídas”, embora, até então, “não há um número estabelecido”.
O fato fez com que moradores locais passassem a ter preocupações com um fator crucial para a economia local: as plantações de bananas. Conforme o magma foi jorrando do vulcão, agricultores da cidade de Todoque fizeram o máximo para salvar parte da safra, colocando as frutas em caminhões. Segundo a associação de produtores local, 15% da colheita poderia estar em risco.
Uma semana após a erupção, a lava vulcânica chegou cada vez mais perto do mar. Com isso, segundo apontou o G1, autoridades de La Palma interditaram a região ao redor da costa leste da ilha. Além do mais, as regiões de Marina Alta e Baja, San Borondon e La Condesa também receberam um alerta.
Segundo o serviço de emergência local, ao atingir as águas, o magma poderia causar perigosas explosões, que se tornariam nocivas aos moradores não só pelo risco de queimaduras, quanto pela inalação de gases tóxicos. A essa altura, a temperatura estimada da lava era 1.250ºC.
O fato chegou a se confirmar no dia 28, após a lava deixar um rastro pela ilha e fazer com que mais de 6 mil moradores deixassem o local. Conforme noticiou a equipe do site do Aventuras na História, especialistas alertaram que o resfriamento da substância emite gases carregados com ácido clórico.
"A população terá que seguir as orientações das autoridades e permanecer em suas casas com as portas e janelas fechadas", disse um comunicado local.
Para se ter ideia do estrago causado pelo Cumbre Vieja pelas comunidades de El Paraíso e Todoque, o satélite Landsat 8, da NASA, conseguiu captar imagens do impacto do magma pela região.
O registro foi feito através de imagens em infravermelho, já que o resfriamento da superfície faz com que uma crosta escura apareça pelo trajeto — o que dificulta a visualização a olho nu.
Após cerca de dois meses da erupção, o vulcão ainda está ativo. Segundo noticiou o portal IG, vulcanólogos afirmaram que o Cumbre Vieja está aumentando sua força explosiva mesmo depois de todo esse tempo.
Especialistas explicaram que ainda não há previsão para o fim das explosões, já que a emissão de cinzas está maior. Entretanto, isso não significa que isso possa ocasionar mais destruições, visto que a magma está deslizando pelos caminhos já abertos. Desde o início da atividade, o Cumbre Vieja já destruiu uma área de 56 quilômetros quadrados, o equivalente a 980 campos de futebol.
Apesar disso, a preocupação com fenômenos que possam afetar o Brasil não fazem parte de um cenário de urgência, visto que, segundo explicou o UOL, seria necessário anos para que quaisquer efeitos fossem sentidos por aqui — algo que, provavelmente, nunca chegará a acontecer.