Nova série da Netflix sobre o canibal Jeffrey Dahmer chama atenção nos episódios finais
Fabio Previdelli | @fabioprevidelli_ Publicado em 23/04/2022, às 00h00 - Atualizado em 26/09/2022, às 13h33
Lançada na última semana, a série 'Dahmer - Um Canibal Americano' já é uma das mais assistidas séries na Netflix Brasil. Reproduzindo os brutais crimes do serial killer e canibal Jeffrey Dahmer, a produção retrata como o lunático conseguiu escapar da justiça enquanto matava homens, alcançando a marca de 17 mortes.
Já nos episódios finais da série, os assinantes da plataforma de streaming se deparam com outra figura capaz de atos tão agressivos quanto Dahmer. Se trata de John Wayne Gacy, responsável pela morte de 33 jovens rapazes, entre 1972, 1976. Apesar de não ter uma relação direta com o assassino, as histórias se cruzam por coincidir com a data de execução do 'palhaço assassino'.
A saga do assassino também chamou atenção neste ano com o lançamento de “Conversando com um serial killer: o Palhaço Assassino”, que conta a história dos os insólitos crimes de John Wayne Gacy.
A nova produção, dirigida por Joe Berlinger — que já havia feito sucesso com o público pelo aclamado “Conversando com um serial killer: Ted Bundy”, também disponível na Netflix —, apresenta novas entrevistas com os principais envolvidos no caso, o que inclui testemunhas que nunca antes haviam sido entrevistadas.
“John Wayne Gacy era muito querido na comunidade, sonhava em ser político e às vezes fazia bicos como palhaço. Mas também era um serial killer, que assassinou 33 garotos entre 1972 e 1976. A maioria das vítimas foram encontradas enterradas na casa dele, nos subúrbios de Chicago. Cinquenta anos depois, muitas delas ainda não foram identificadas, mesmo com análises de DNA. Agora, graças a 60 horas de gravações inéditas de conversas entre Gacy e sua equipe de defesa, temos uma nova perspectiva sobre a mentalidade narcisista do assassino e podemos entender melhor como ele conseguiu passar tanto tempo impune”, aponta a sinopse da obra.
Mas, antes de ver “Conversando com um serial killer: o Palhaço Assassino”, a equipe do site do Aventuras na História separou 5 fatos sobre a vida conturbada de John Wayne Gacy:
Casado com a contadora Marlynn Myers, oriunda de uma família rica e bem influente, John Wayne Gacy começou a ver sua vida mudar no dia do nascimento de seu primeiro filho, Michael, em 1966.
Afinal, no dia que seu herdeiro veio ao mundo, ele saiu para comemorar a notícia com um colega de trabalho. Embriagado, acordou nú em um hotel. Uma de suas únicas lembranças era de ter tido relações sexuais com o sujeito, o que gerava um misto de vergonha e excitação. A experiência mudou a forma como Johnencarava a sexualidade.
Em 29 de fevereiro de 1967, conforme aponta matéria da Superinteressante, esse desejo reprimido dentro de Gacy veio à tona. Aproveitando que sua esposa e seu filho não estavam em casa, chamou Donald Voorhees, filho de um senador do estado de Iowa, para assistir um filme em sua casa.
Após ficar mais desinibido depois de uma dose de álcool, ‘convenceu’ o garoto de apenas 15 anos a fazer sexo oral nele. Pelo ato, pagou 50 dólares a Donald. John ainda o ameaçou caso não ficasse de boca fechada, dizendo ter conexão com a máfia de Chicago.
A ameaça fez efeito até março de 1968, quando o garoto contou tudo para seus familiares. O caso foi levado para a polícia e Wayne acabou sendo preso, embora tenha negado o crime.
Com o decorrer das investigações, outras vítimas apareceram. Com uma situação insustentável, confessou. Foi condenado com a pena máxima: 10 anos de cárcere.
Wayne Gacy começou a cumprir sua pena em 1968. Dentro da prisão, se tornou um exemplo. Sua dedicação lhe fez ser promovido a cozinheiro-chefe com apenas oito meses de detenção. John ficou marcado por melhorar a qualidade das refeições dadas aos presos.
Extremamente popular, era bem visto por todos os âmbitos do sistema carcerário, desde guardas até assistentes sociais e superintendentes da penitenciária. Porém, se atrás das grades a vida caminhava bem, no mundo livre as notícias eram as piores possíveis: seu pai havia falecido.
Apesar dos médicos apontarem uma enfermidade responsável pela morte de seu progenitor, ele acreditava que a decepção que causara no pai era o real motivo da tragédia. John Wayne Gacy logo transformou o sofrimento em raiva.
Com isso, passou a bater de frente com qualquer prisioneiro que achava ser gay, mais como uma forma de manter seu desejo reprimido do que por ódio a sexualidade. Mesmo assim, em 18 de junho de 1970, após 18 meses de sentença, acabou sendo liberado por bom comportamento. Àquela altura, sua relação com Marlynn já havia acabado.
Descompromissado, de certa forma, decidiu que reconstruiria sua vida após voltar a morar com sua mãe, em Chicago. Aos 28 anos, John passou a trabalhar como cozinheiro, função que o ajudou a alcançar a liberdade.
Economizando cada centavo gasto, abriu uma empresa em junho de 1971, a PDM (sigla em inglês para “pintura, decoração e manutenção”). Cerca de doze meses depois, conseguiu comprar uma casa para ele e a mãe morarem em Norwood Park, ainda em Chicago.
A nova vida também foi marcada por uma nova relação: Carole Hoff. Recém-divorciada, a mulher era uma conhecida de infância de Wayne Gacy. Para ela, John revelou suas experiências sexuais e confidenciou que havia sido preso.
Sua vida virou um livro aberto para Carole, que enxergou nele uma pessoa com vontade de vencer e deixar o passado para trás. Um fato que ajudou nessa aceitação é que as duas filhas de Hoff também gostavam muito dele, a quem chamavam carinhosamente de “papai”.
Mas nem mesmo o afeto fez John deixar de lado sua atração sexual por adolescentes. Wayne Gacy começou a mostrar o monstro que era em 1º de janeiro de 1972. Na ocasião, havia abordado Timothy McCoy, um jovem de 16 anos, em uma estação rodoviária. Os dois mantiveram relações por toda a noite.
Na manhã seguinte, Gacy foi até a cozinha e o atacou com uma faca, a cravando em seu peito. Para se livrar do corpo, ele enterrou o menino debaixo de sua casa e cobriu o cadáver com concreto.
John Wayne Gacy assassinou 33 garotos entre 1972 e 1976. A maioria das vítimas teve um destino parecido com o de McCoy, foram enterradas na casa de John. Para muitos, ele era uma pessoa acima de qualquer suspeita.
Todos diziam que ele era simpático e gentil, um sucesso na área de atendimento ao cliente, que só tinham elogios a sua pessoa. Moradores daquela região de Chicago, inclusive, o viam como amável e generoso, um homem muito altruísta.
Uma de suas maiores ações era, nos fins de semana, se vestir de palhaço em aniversários e eventos da cidade. Infelizmente, poucos sabiam sobre o passado de John e tampouco desconfiavam do que ele seria capaz de fazer.