Grécia pede que Monte Olimpo vire Patrimônio Mundial da Unesco
Autoridades da Grécia defendem reconhecimento do Monte Olimpo pela Unesco, destacado importância histórica, cultural e desafios de preservação

Autoridades da Grécia aguardam a decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre o pedido para que o Monte Olimpo seja reconhecido como patrimônio mundial. A candidatura começou a ser analisada neste domingo durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul, cuja programação segue até 29 de julho. A expectativa é que o resultado seja divulgado até o encerramento da reunião.
O governo grego apresentou a proposta em 2014, argumentando que o Monte Olimpo reúne importância histórica, cultural e ambiental. Além de sua relevância natural, o local ocupa posição central na mitologia grega, sendo descrito por Homero como a “morada dos imortais“. Seu ponto mais elevado alcança 2.918 metros de altitude.
Segundo autoridades locais, o reconhecimento internacional ajudaria a valorizar um dos símbolos mais conhecidos da cultura grega. O prefeito de Dion-Olympus, Evangelos Geroliolios, relembrou a experiência de chegar ao topo da montanha. “Nunca esqueci aquele momento único, aquela sensação única lá em cima, no trono de Zeus“, afirmou ao The Guardian.
Para o prefeito, a candidatura busca destacar a combinação entre patrimônio histórico, tradição mitológica e paisagem natural. “Você tem uma sensação incrível de estar em um lugar moldado por mito, beleza e pelo peso da história. Tudo isso queremos compartilhar e esperamos que seja reconhecido internacionalmente”, declarou.
Preservação do local
Além do valor cultural, autoridades defendem que a inclusão do Monte Olimpo na lista da Unesco fortaleceria as medidas de preservação diante do aumento do fluxo de visitantes e dos riscos ambientais.
O turismo na região cresceu de forma significativa na última década. Segundo o The Guardian, aproximadamente 500 mil pessoas visitaram o monte no ano passado. A expectativa é de que esse número aumente após o lançamento, em 17 de julho, do filme “A Odisseia“, dirigido por Christopher Nolan, que renovou o interesse do público pelo universo da Grécia Antiga.
O vice-diretor da agência responsável pela gestão do Parque Nacional do Olimpo, Dimitris Pappas, afirmou que o crescimento da visitação exige reforço nas políticas de conservação. “Estamos felizes em receber turistas, mas mais gente vai significar mais riscos”, disse.
Na avaliação de Pappas, o reconhecimento como patrimônio mundial contribuiria para ampliar a proteção da área. “Não há dúvida de que, se a área for declarada patrimônio mundial da Unesco, isso vai ajudar a contribuir para a proteção da montanha. Se perdermos o que temos, será uma catástrofe”, afirmou.
Entre as principais ameaças apontadas pelas autoridades estão os incêndios florestais, cuja frequência tem aumentado em meio à crise climática. Segundo Pappas, investimentos em infraestrutura preventiva poderiam reduzir esses riscos.
Eles poderiam ser evitados com mais recursos para melhorar medidas de proteção contra fogo, incluindo limpar trilhas e construir abrigos. Pontes sobre rios e estradas também poderiam ser melhoradas”, declarou.
O Monte Olimpo já conta com diferentes formas de proteção ambiental e patrimonial. A área foi transformada em floresta nacional em 1938, recebeu o título de reserva da biosfera da Unesco em 1981 e passou a ser oficialmente reconhecida como parque nacional por decreto presidencial em 2021.
Na documentação apresentada à Unesco, a Grécia também destaca o significado religioso do local. O dossiê menciona descobertas arqueológicas, como um santuário a céu aberto localizado em um dos picos mais baixos da montanha, além da presença de capelas e mosteiros ligados à tradição cristã ortodoxa.
Apesar disso, pareceres de órgãos consultivos indicam que a candidatura ainda poderá ser devolvida ao governo grego para complementação de informações antes de uma decisão definitiva, repercute o UOL.
Mesmo diante dessa possibilidade, Geroliolios defende que a necessidade de proteger a montanha é urgente. “Mesmo que não consigamos, não há tempo a perder. Mais medidas de proteção precisam ser tomadas”, afirmou ao The Guardian.