Tesouro de moedas da República Romana é achado na Alemanha central
Conjunto de cinco denários de prata da República Romana é o primeiro encontrado em contexto arqueológico na Saxônia-Anhalt e amplia estudos sobre Roma e povos da Alemanha central

Arqueólogos confirmaram a descoberta do primeiro tesouro documentado de moedas de prata da República Romana no estado da Saxônia-Anhalt, na Alemanha. O conjunto, formado por cinco denários, foi localizado nas proximidades da cidade de Halle (Saale) e oferece novas evidências sobre as relações entre Roma e os povos que habitavam a região da atual Alemanha central no início da Era Comum.
As moedas foram encontradas em 2025 por Dirk Braungardt, colaborador voluntário responsável pela gestão do patrimônio arqueológico. A descoberta foi anunciada em 22 de julho pelo Escritório Estadual de Gestão do Patrimônio e Arqueologia da Saxônia-Anhalt, que classificou o achado como uma importante contribuição para o estudo do período romano na região.
O tesouro reúne cinco denários de prata. Uma das moedas foi cunhada em 148 a.C., enquanto as outras quatro datam do intervalo entre 82 e 79 a.C., já no fim da República Romana.
Todas foram recuperadas em uma área bastante reduzida, o que levou os pesquisadores a concluir que originalmente estavam reunidas, possivelmente guardadas em uma pequena bolsa. Com o passar do tempo, processos como atividades agrícolas, erosão ou a ação de animais podem ter espalhado as peças pelo terreno.
Segundo os arqueólogos, a descoberta é especialmente relevante porque moedas republicanas desse tipo são extremamente raras na Saxônia-Anhalt. Antes desse achado, apenas 19 exemplares da República Romana haviam sido registrados em todo o estado, quase sempre encontrados de forma isolada.
Havia apenas um outro conjunto conhecido de moedas republicanas na região, composto por quatro denários provenientes de Großleinugen. No entanto, essas peças passaram a integrar uma coleção por meio de uma compra realizada em 1897, sem que seu local original de descoberta tivesse sido registrado. Dessa forma, o conjunto encontrado em Halle representa o primeiro tesouro desse tipo identificado com contexto arqueológico devidamente documentado.
Embora denários republicanos sejam mais frequentes em estados vizinhos, como Turíngia e Baixa Saxônia, sua ocorrência diminui significativamente em direção ao nordeste da Alemanha. Em Brandemburgo e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, por exemplo, apenas alguns poucos tesouros semelhantes foram registrados, reforçando a importância da nova descoberta, de acordo com o Archaeology News.
Mais detalhes
As moedas apresentam forte desgaste, indicando que permaneceram em circulação durante muitos anos. Os pesquisadores destacam que os denários da República continuaram sendo utilizados em todo o mundo romano até o final do século 1 d.C., e o conjunto encontrado corresponde ao tipo de moeda que circulava normalmente naquele período.
Entre as cinco peças, três pertencem ao grupo conhecido como serrati, caracterizado pelas bordas serrilhadas. Duas dessas moedas ainda preservam inscrições gravadas. A função dessas bordas continua sendo debatida pelos historiadores: uma das hipóteses é que elas serviam para demonstrar que a moeda era feita de prata maciça; outra sugere que dificultavam cortes na borda ou tinham apenas finalidade decorativa.
Outro aspecto considerado importante é a ausência de moedas do período imperial romano no mesmo conjunto. Para os especialistas, isso indica que os denários chegaram à região de Halle provavelmente no início da Era Comum. Caso tivessem circulado por mais tempo, seria esperado que estivessem acompanhados de moedas emitidas durante o Império.
Na época, os habitantes da atual Saxônia-Anhalt não utilizavam moedas como meio de pagamento cotidiano. Os denários provavelmente eram vistos como objetos de valor material e social. Os arqueólogos apontam que essas peças podem ter alcançado a região por diferentes caminhos, como comércio, presentes diplomáticos, pagamentos, trocas entre grupos germânicos ou campanhas militares romanas.
Escavações anteriores já haviam relacionado expedições lideradas por comandantes romanos, como Druso, Enobarbo e o futuro imperador Tibério, ao território da Alemanha central, onde também foram identificados antigos acampamentos militares romanos.
Embora composto por apenas cinco moedas, o tesouro oferece novas informações sobre a circulação de prata, mercadorias e pessoas entre Roma e as sociedades que viviam além das fronteiras do império há mais de dois mil anos.