A assombrosa tumba construída para abrigar zumbis na Alemanha
Na Alemanha, foi descoberta uma tumba assombrosa da Idade do Bronze Inicial construída para abrigar possíveis "zumbis"; entenda!

Hoje em dia, o imaginário coletivo possui criaturas malignas das mais variadas, e com todos os tipos de peculiaridades que variam de acordo com a época ou suas histórias de origem. Por exemplo, há séculos existem incontáveis histórias de bruxas, que vão desde mulheres sábias e que conheciam as propriedades medicinais e até “mágicas” de diferentes plantas, até aquelas que realizam sacrifícios e fazem pactos com criaturas ainda mais sombrias em troca de algo.
Há também várias histórias de lobisomens, vampiros — que vão desde o Drácula de Bram Stoker, passando por Nosferatu e até Crepúsculo —, possessões demoníacas e, é claro, um tropo bastante recorrente dos filmes de terror e de lendas há séculos, zumbis.
Hoje, essas criaturas morto-vivas são lembradas principalmente por franquias de games como ‘Resident Evil’ e ‘The Last of Us’, séries como ‘The Walking Dead‘, ou filmes como ‘Guerra Mundial Z’ e ‘O Retorno dos Mortos-Vivos’. No entanto, o imaginário de uma pessoa que morreu retornando à vida para prejudicar de maneira brutal aqueles que ainda estão vivos já existe há séculos, se não milênios; o que pode ser identificado, por exemplo, em uma sepultura da Idade do Bronze descoberta na Alemanha. Confira!
Tumba de zumbi
Arqueólogos na Alemanha fizeram uma descoberta fascinante que lança luz sobre as práticas funerárias e superstições dos povos da Idade do Bronze. Uma sepultura, datada de aproximadamente 4.200 anos, foi encontrada em Oppin, no estado da Saxônia-Anhalt, revelando evidências de estratégias utilizadas para garantir que os mortos permanecessem em suas tumbas, longe dos vivos — ou seja, os contendo caso se tornassem espécies de zumbis.
De acordo com um comunicado divulgado pelo Escritório Estadual de Gestão do Patrimônio e Arqueologia da Saxônia-Anhalt, a sepultura continha o corpo de um homem de meia-idade, cujas pernas estavam fixadas por uma enorme pedra, medindo cerca de 1 metro e meio de comprimento e 0,5 metro de largura. Com uma espessura de cerca de 10 centímetros, o peso do bloco de pedra teria sido considerável.
“Deve-se presumir que a pedra foi colocada ali por um motivo,” afirmou uma declaração traduzida do escritório. “Possivelmente para reter o morto na sepultura e impedir que ele retornasse.”

Medo dos mortos
A sepultura é associada à cultura dos Copos Bell, um povo que habitou a região no final do período Neolítico e início da Idade do Bronze (cerca de 2.800 a.C.). Embora haja pouca documentação sobre essa cultura, a descoberta pode fornecer novas percepções sobre as crenças supersticiosas da época.
Susanne Friederich, arqueóloga e gerente do projeto de escavação, comentou à revista Newsweek: “Sabemos que já na Idade da Pedra as pessoas temiam os mortos-vivos. Naquela época, acreditava-se que os mortos às vezes tentavam se libertar de seus túmulos. Às vezes, os mortos eram colocados de bruços. Se o morto fosse deitado de bruços, ele afundaria cada vez mais em vez de alcançar a superfície.” Em certos casos, além dessa posição, foram encontrados restos mortais com lanças atravessando o torso, reforçando a segurança das sepulturas.
A análise da tumba revelou que estava vazia, exceto pelo corpo do homem encontrado em posição fetal e inclinado para o lado. O grande bloco de pedra mantinha suas pernas presas ao solo — indicando que não era necessário o uso adicional da lança neste caso, repercute o site Popular Mechanics.
A crença em seres zumbificados capazes de causar angústia aos vivos permeou diversas culturas ao longo da história. A descoberta da sepultura antiga reforça como essas ideias eram profundamente enraizadas nas sociedades passadas e destaca a importância atribuída a objetos como blocos de pedra na proteção contra ameaças imaginárias provenientes dos mortos.