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Explosão de estrela na Via Láctea dispara “balas cósmicas” pelo espaço

Observações revelaram fragmentos de gás lançados por uma rara explosão estelar e ajudam a explicar fenômenos do Universo

Um dos cilindros de gás detectados. Crédito: Universidade de Warwick/John Mills

Astrônomos identificaram que a estrela V445 Puppis, localizada na Via Láctea, lançou aglomerados de gás a velocidades próximas de 32,2 milhões de quilômetros por hora após uma rara explosão estelar registrada no início dos anos 2000. A descoberta foi possível graças a novas observações realizadas pelo Telescópio Espacial Hubble, em conjunto com outros instrumentos astronômicos.

O estudo trouxe detalhes inéditos sobre a chamada nova de hélio, um tipo incomum de explosão que ocorre quando uma anã branca acumula material rico em hélio proveniente de uma estrela companheira. Além de esclarecer a composição do sistema, a pesquisa revelou estruturas nunca antes observadas em fenômenos semelhantes.

Os resultados foram apresentados durante a Reunião Nacional de Astronomia da Royal Astronomical Society, realizada em Birmingham, no Reino Unido e repercutido pelo Olhar Digital. Segundo os pesquisadores, as informações obtidas podem contribuir para uma melhor compreensão das supernovas do tipo Ia, utilizadas como referência para medir distâncias no Universo.

Explosão permaneceu escondida por mais de duas décadas

A V445 Puppis chamou a atenção da comunidade científica após uma intensa erupção ocorrida em 2000. Na ocasião, enormes quantidades de matéria foram lançadas ao espaço, formando estruturas semelhantes a asas de borboleta e duas grandes correntes de detritos que ultrapassaram um trilhão de milhas de extensão.

Desde então, uma espessa camada de poeira produzida pela própria explosão dificultava a observação do sistema. Esse material bloqueava a visão das estrelas responsáveis pelo fenômeno, impedindo que os cientistas identificassem com precisão sua composição.

Com a diminuição dessa barreira, a equipe conseguiu combinar dados obtidos pelo Hubble, pelo satélite TESS, pelo Very Large Telescope e por outros equipamentos para investigar o sistema com mais detalhes.

As análises mostraram que a explosão ocorreu em um sistema binário formado por uma anã branca e uma estrela de hélio, um tipo raro de estrela que perdeu sua camada externa de hidrogênio e passou a apresentar uma composição dominada por hélio.

Fragmentos desafiam os astrônomos

Aglomerado de estrelas. – Crédito: ESA/Euclid/Euclid Consortium/NASA, CFHT, image processing by J.-C. Cuillandre and E. Bertin (CEA Paris-Saclay)

Entre os resultados mais curiosos da pesquisa está a identificação de pequenos blocos de gás lançados ao espaço durante a explosão. Chamados pelos pesquisadores de “projéteis cósmicos”, esses fragmentos, possivelmente ricos em oxigênio, foram registrados viajando a velocidades próximas de 32,2 milhões de km/h.

Os cientistas ainda não sabem exatamente como essas estruturas se formaram. A hipótese é que tenham surgido após a explosão inicial, mas fenômenos semelhantes nunca haviam sido observados em outras novas conhecidas.

As observações também indicam que a anã branca voltou a capturar material da estrela companheira, repetindo o processo que antecedeu a erupção registrada em 2000. Por isso, os pesquisadores acreditam que a V445 Puppis poderá sofrer uma nova explosão no futuro.

Caso isso aconteça, o sistema poderá fornecer informações importantes sobre a evolução das anãs brancas e sua possível relação com as supernovas do tipo Ia, eventos fundamentais para estudar a expansão do Universo e aprofundar as pesquisas sobre a energia escura.


*Sob supervisão de Éric Moreira