Nos últimos dias, a cidade de Lviv, cujo centro histórico é considerado patrimônio mundial, foi diretamente atingida por ataques russos. Drones atingiram áreas centrais, danificando estruturas históricas e até edifícios religiosos. Entre os locais afetados está a Igreja de Santo André, do século XVII, parte do conjunto protegido pela UNESCO.
Além disso, o complexo do mosteiro bernardino — também inserido na área histórica da cidade — sofreu danos estruturais durante os bombardeios, evidenciando que mesmo regiões distantes da linha de frente estão vulneráveis.
Dano ao patrimônio
Lviv não é um caso isolado. Desde o início da invasão em larga escala, sítios históricos em Odessa e Kiev também vêm sendo ameaçados. O centro histórico de Odessa, por exemplo, foi incluído simultaneamente na lista de Patrimônio Mundial e na lista de patrimônios em perigo, devido ao risco direto de destruição causado pela guerra.
Segundo dados atualizados da UNESCO, ao menos 523 locais culturais já foram danificados no país desde o início do conflito. Entre eles estão igrejas, museus, bibliotecas, monumentos e edifícios históricos — muitos com séculos de existência.
A organização também alerta que o risco não se limita a impactos diretos. Ondas de choque provocadas por explosões próximas podem comprometer estruturas antigas, mesmo quando não são atingidas diretamente. Por isso, sítios como a Catedral de Santa Sofia de Kiev e o Kiev-Pechersk Lavra foram incluídos na lista de patrimônios em perigo.
Especialistas apontam que a destruição desses espaços representa mais do que perdas arquitetônicas. Trata-se de um apagamento simbólico: cada igreja, museu ou centro histórico destruído leva consigo fragmentos da identidade cultural ucraniana — muitos deles insubstituíveis.
No contexto da guerra, o dano ao patrimônio também ganha dimensão política e internacional. A UNESCO e outras instituições vêm alertando que ataques a bens culturais podem configurar violações do direito internacional, especialmente quando atingem locais protegidos.