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Zelensky divulga vídeo de bunker onde organizou resposta à invasão russa

Quatro anos após invasão russa na Ucrânia, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky mostra pela primeira vez o bunker em que organizou a resposta à Rússia

Volodymyr Zelensky em vídeo no interior do bunker / Crédito: Reprodução/Redes sociais

Quatro anos após o início da invasão russa, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, divulgou nesta terça-feira, 24, um vídeo em que apresenta pela primeira vez o bunker utilizado para coordenar a resposta do governo nos primeiros dias do conflito, em 2022. A gravação, com cerca de 19 minutos, revela o espaço subterrâneo onde decisões estratégicas foram tomadas no momento mais crítico da ofensiva.

No vídeo, Zelensky relembra as articulações internacionais feitas a partir do local. “Foi neste escritório, nesta pequena sala no bunker na rua Bankova [onde está a presidência], que tive minhas primeiras conversas com líderes de todo o mundo no início da guerra”, afirma. O presidente também recorda um dos episódios mais marcantes daquele período: “Foi aqui que falei com Joe Biden e disse a ele que precisava de munição, não de um táxi”, diz, mencionando a frase que ganhou repercussão após o então presidente dos Estados Unidos sugerir uma operação para retirá-lo do país.

As imagens mostram um complexo subterrâneo construído na era soviética. O bunker conta com túneis iluminados por luzes de neon, salas destinadas a reuniões e ambientes reservados para diferentes esferas do poder estatal, incluindo Presidência, Governo e Parlamento. O espaço está situado abaixo do complexo presidencial, formado por diversos edifícios cercados por muros, no centro da capital, em meio a construções residenciais e prédios governamentais.

“Hoje marca exatamente quatro anos desde que Putin iniciou sua ofensiva de três dias para tomar Kiev. E isso diz muito sobre nossa resistência, sobre como a Ucrânia lutou durante todo esse tempo. Por trás dessas palavras estão milhões de pessoas, imensa coragem, trabalho árduo, perseverança e o longo caminho que a Ucrânia vem trilhando desde 24 de fevereiro. Olhando para o início da invasão e refletindo sobre o presente, temos todo o direito de dizer: defendemos nossa independência, não perdemos nossa soberania; Putin não alcançou seus objetivos. Ele não quebrou os ucranianos; ele não venceu esta guerra. Preservamos a Ucrânia e faremos tudo para garantir a paz e a justiça. Glória à Ucrânia!”, escreveu Zelensky na publicação do X em que divulgou o vídeo do bunker.

Rússia x Ucrânia

Desde o início da invasão, o acesso ao distrito governamental foi bloqueado. A área passou a ser protegida por múltiplas linhas de controle militar, restringindo a circulação e reforçando a segurança em torno das principais instituições do país.

A sede oficial da Presidência, localizada no mesmo complexo, é um edifício monumental de estilo neoclássico, frequentemente descrito como “stalinista”. Construído na década de 1930, o prédio remonta ao período em que a Ucrânia integrava a União Soviética. Apesar de sua imponência, a estrutura vinha sendo considerada ultrapassada para as demandas administrativas contemporâneas.

Desde que assumiu o cargo, em 2019, Zelensky manifestava a intenção de transferir a administração presidencial para instalações mais modernas, seguindo uma ideia já discutida por antecessores. No entanto, com o início da guerra, a infraestrutura herdada do período soviético mostrou-se funcional para as necessidades de segurança e comando impostas pela crise, repercute o UOL.

De acordo com o governo ucraniano, o presidente teria sido alvo de mais de dez tentativas de assassinato desde 2022. A permanência no país e a atuação a partir do bunker tornaram-se parte central da narrativa de resistência construída nos primeiros meses do conflito.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.