Perdas russas e ucranianas na guerra se aproximam de 2 milhões
Estudo do CSIS prevê 2 milhões de soldados vítimas da guerra; a maioria das perdas é russa, obrigando Moscou a recorrer ao recrutamento externo

A invasão russa na Ucrânia caminha para o quarto ano sem sinais de trégua. Um novo relatório do CSIS projeta um cenário alarmante para a próxima primavera. O estudo estima que o total de soldados mortos, feridos ou desaparecidos pode chegar a 2 milhões.
Os dados apontam para uma grande disparidade entre os exércitos. O lado russo sofreu o maior impacto, com cerca de 1,2 milhão de baixas calculadas. Já as forças ucranianas contabilizam aproximadamente 600 mil perdas no período.
O Kremlin contesta as estatísticas e classifica o documento como “não credível”. Apesar da negativa oficial, os números coincidem com investigações de agências de inteligência ocidentais. Moscou mantém a dimensão real de suas perdas sob rigoroso segredo de Estado.
Peso histórico e demografia
De acordo com informações do The Guardian, a escala da tragédia é historicamente inédita. As perdas russas já superam em 17 vezes os números da invasão soviética no Afeganistão. Esse total é maior que a soma de todas as guerras do país desde a Segunda Guerra Mundial.
Estima-se que existam cerca de 2,5 baixas russas para cada soldado ucraniano. Mesmo com essa vantagem estatística, a segurança de Kiev não está garantida.
A Ucrânia sofre com uma população menor e capacidade de mobilização limitada. Por isso, o governo resiste em baixar a idade de recrutamento. O limite atual permanece em 25 anos.
Moscou usa uma estratégia diferente para compensar suas perdas massivas. O governo aposta em incentivos financeiros elevados para novos soldados. Também recruta estrangeiros da Ásia, África e América do Sul para suas fileiras.
Avanços mínimos no front
Todo esse sacrifício humano resulta em ganhos territoriais marginais. Devido às rigorosas condições de inverno e à forte defesa ucraniana, as tropas russas avançaram a um ritmo lento de 15 a 70 metros por dia nas últimas ofensivas.
O cenário de impasse se confirmou também na esfera diplomática, visto que as recentes tentativas de negociação em Abu Dhabi terminaram sem acordo, sugerindo que a guerra continuará a consumir vidas sem uma resolução próxima.