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Grécia cria barreiras contra peixes tóxicos atraídos pela crise climática

Governo grego utiliza barreiras contra o baiacu-de-dentes-compridos, espécie letal e invasora que migrou para o Mediterrâneo devido ao aquecimento das águas

O baiacu-de-cabeça-achatada, considerado um dos vertebrados mais venenosos do mundo, tem ampliado sua presença no Mar Mediterrâneo com o aquecimento das águas. Foto: Shorefishes of the Greater Caribbean.

As águas cristalinas do Golfo de Eubeia enfrentam um desafio biológico que forçou o governo grego a adotar medidas drásticas de proteção costeira. Pela primeira vez na história do país, redes flutuantes de alta resistência foram instaladas em baías turísticas para impedir a entrada do baiacu-de-dentes-compridos, um peixe tropical altamente agressivo e venenoso. A iniciativa busca assegurar que o lazer e o turismo não sejam prejudicados por uma invasão marinha que se consolidou como uma nova e perigosa realidade devido às mudanças climáticas globais.

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Ameaça do veneno letal

O invasor em questão é o Lagocephalus sceleratus, uma espécie que migrou do Mar Vermelho pelo Canal de Suez em decorrência ao aumento das temperaturas oceânicas. Este peixe possui mandíbulas semelhantes a bicos, capazes de romper ossos e metal, mas o perigo real reside em seus órgãos. 

Conforme o veículo The Guardian detalha, a espécie contém tetrodotoxina, um veneno letal para o qual não existe antídoto e que pode matar seres humanos caso a carne seja consumida. O risco é tão elevado que a Cruz Vermelha Grega emitiu alertas de saúde pública orientando que qualquer pessoa mordida busque atendimento emergencial imediato.

Estratégia de barreiras

Para enfrentar o problema, o vice-prefeito de Chalkida, Antonis Spanos, coordenou a instalação de redes duráveis que já somam quilômetros de extensão no litoral. Ele afirmou que as autoridades passaram meses garantindo fundos para que o sistema fosse aprovado e instalado antes do pico do verão. 

“Nosso dever e preocupação principal deve ser a segurança de nossos cidadãos”, declarou o político em entrevista ao The Guardian, reforçando que é melhor prevenir do que remediar. Moradores locais, como o aposentado Pavlos Beleyiannis, relataram alívio ao verem as crianças nadando protegidas por essas novas estruturas, algo desnecessário em décadas passadas.

Incentivo aos pescadores

Além das redes, o governo anunciou um programa financeiro para incentivar a retirada desses peixes do ecossistema. Segundo o ministro da agricultura, Margaritis Schinas, o plano oferece pouco mais de cinco euros por quilo capturado. A ideia segue o exemplo de Chipre, onde a oficial de pesca Katerina Georgiou já registrou a remoção de mais de 100 toneladas da espécie em esquemas de erradicação similares.

Apesar do esforço governamental, o tema gera debates. Enquanto mergulhadores veteranos como Nikos Choulieris auxiliam na fixação das redes no leito marinho, cientistas como Ioannis Batjakas pedem cautela para evitar pânico exagerado. O pesquisador argumenta que ataques a humanos são raros e costumam ocorrer apenas sob provocação, embora admita que a proliferação da espécie seja um problema real para a biodiversidade local.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.