Como o impacto humano nos oceanos coloca em risco a vida em todo o planeta
Dados da ONU mostram aceleração no degelo polar e aumento do descarte de plásticos, comprometendo a saúde da Terra e de toda a humanidade

A Organização das Nações Unidas publicou recentemente a Terceira Avaliação Mundial dos Oceanos, documento que detalha uma crise ambiental sem precedentes. O relatório, elaborado com o apoio de centenas de especialistas, revela que a atividade humana está desestabilizando os oceanos, que cobrem 70% da superfície terrestre e são vitais para a regulação do clima e a biodiversidade.
Segundo os dados reunidos, o aquecimento global e a poluição massiva estão empurrando o ecossistema marinho para pontos de não retorno, ameaçando a sobrevivência de economias e culturas em todo o mundo.
Crise climática acelerada
Conforme as informações da ONU, o derretimento das calotas polares tem acelerado o aumento do nível do mar, que subiu de 1,9 mm por ano em 2015 para 4,3 mm em 2023. Nas regiões do Ártico, as temperaturas sobem quatro vezes mais rápido que a média global, afetando diretamente a vida marinha.
Além disso, um estudo coordenado por institutos internacionais alerta para o risco de colapso da Amoc, que é o sistema de correntes oceânicas responsável por aquecer o Atlântico Norte.
Se essa circulação falhar, partes da Europa podem enfrentar uma era do gelo, enquanto outras regiões sofreriam com a desertificação.
Ameaça invisível plástica
A poluição por resíduos sólidos também atingiu níveis alarmantes, com mais de 52 milhões de toneladas de plástico chegando aos mares anualmente. Esse descarte contribui para a presença de cerca de 24 trilhões de partículas de microplástico dispersas nas águas, que são ingeridas por animais e entram na cadeia alimentar humana.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a exposição precoce a esses componentes químicos está associada a riscos graves à saúde, incluindo distúrbios de desenvolvimento e doenças crônicas.
Futuro dos ecossistemas
A acidificação oceânica, processo causado pela absorção de excesso de gás carbônico da atmosfera, é outra bomba relógio para o planeta. Nina Bednaršek, pesquisadora da Oregon State University, afirma que todos os oceanos já atingiram níveis críticos de acidez, o que dificulta a formação de conchas e esqueletos de organismos marinhos.
Paralelamente, o branqueamento e a morte de recifes de corais, que abrigam um quarto das espécies marinhas, mostram que limites térmicos fundamentais já foram excedidos. A proteção dos mares é, portanto, a única via para garantir a resiliência climática global.
*Sob supervisão de Éric Moreira