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Escócia exibe pela primeira vez o túmulo mais rico da Idade do Ferro

Armas raras e joias de um jovem guerreiro sepultado há dois milênios integram mostra inédita sobre a origem dos conflitos no território escocês

Peças recuperadas de um dos mais importantes túmulos da Idade do Ferro já descobertos na Escócia - Foto: Museus Nacionais da Escócia.

A partir deste sábado (27 de junho de 2026), o público poderá contemplar pela primeira vez os tesouros do sepultamento mais rico da Idade do Ferro já descoberto na Escócia. Os artefatos, que pertenceram a um jovem de status elevado, formam o núcleo da exposição intitulada “Os Primeiros Guerreiros da Escócia”, situada no Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo. A mostra reúne mais de 200 objetos que narram a história da violência organizada desde o final da Idade da Pedra até a chegada das legiões romanas à Grã-Bretanha.

Tesouro de Marshill 

O conjunto arqueológico foi encontrado originalmente em 2003, em Marshill, na localidade de Alloa, pela arqueóloga Susan Mills durante uma escavação de rotina. No interior de uma cista revestida de pedra, jaziam os restos mortais de um homem com idade entre 17 e 25 anos, sepultado entre os anos 10 e 70 d.C.. Sobre seu peito, foi colocada cuidadosamente uma espada de ferro ainda protegida por uma bainha de couro, acompanhada por uma lança depositada ao seu lado.

Conforme informações divulgadas pelo veículo Archaeology News, a descoberta é considerada excepcional pela extrema raridade de túmulos contendo armas nessa região. O curador sênior de pré-história do museu, Matthew Knight, explica o significado profundo desses achados para a compreensão daquele povo.

Enterrar pessoas com armas pode refletir o papel que elas desempenhavam na vida como guerreiros, ou como sua comunidade desejava que fossem vistas na vida após a morte. Esses objetos preciosos nos dizem que esse jovem era um membro influente de sua comunidade”, afirmou o especialista em comunicado oficial.

Conflito e resistência 

Além do armamento, o guerreiro foi enterrado com adornos, incluindo um pingente de contas de vidro e anéis de bronze para os dedos dos pés. Este último detalhe sugere que o homem usava sandálias, um item que indicava riqueza e prestígio social na época. Os pesquisadores acreditam que o sepultamento reflete o ressurgimento de uma identidade guerreira em um momento de crise, quando as comunidades locais enfrentavam a pressão da expansão do Império Romano rumo ao norte.

A exposição também apresenta réplicas modernas das armas, criadas para mostrar o brilho intimidador que possuíam quando eram novas. Outro destaque é o Tesouro de Carnoustie, de importância internacional, que inclui uma ponta de lança decorada com ouro datada da Idade do Bronze. 

Espada encontrada no sepultamento de Marshill e réplica produzida para auxiliar os estudos e a exposição do artefato – Foto: Neil Hanna, Museus Nacionais da Escócia.

Ao unir esses achados, o museu oferece uma oportunidade única de examinar como a violência e a organização militar moldaram a vida e a política na Escócia antiga muito antes dos registros escritos.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.