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Seres humanos de 200 mil anos atrás tinham ‘hábitos de cama’

Arqueólogos descobriram na caverna de Border indícios de que os seres humanos da Idade da Pedra tinham trocas de roupa de cama e hábitos higienizantes

Fotografia ilustrativa da caverna da fronteira
Fotografia ilustrativa da caverna da fronteira com seres humanos - Créditos: Domínio Público

Na caverna de Border, no sul da África, arqueólogos encontraram resquícios de “hábitos de cama” em seres humanos que viveram há 200 mil anos. Um novo estudo microscópico dos sedimentos do local revelou que os indivíduos possuíam métodos de organização entre 200 mil e 43 mil anos atrás.

A caverna de Border fica no alto das Montanhas Lebombo, ao longo da fronteira da atual África do Sul com Eswatini. Contudo, apesar de haver estudos na região desde 1930, somente agora que descobriram camadas de sedimentos orgânicos que serviam como o “lençol” para os povos da Idade da Pedra.

Impressionantemente bem preservadas, as “roupas de cama” pré-históricas era feitas de grama e folhas e serviam como forma de evitar o contato com o solo direto e manter a temperatura do corpo. Veja:

Fotografia dos resquícios arqueológicos da caverna de Border – Créditos: Divulgação/Peter Morrissey

A descoberta sobre os humanos

Até hoje, pouquíssimos resquícios de camas pré-históricas sobreviveram. Porém, para além de terem sido descobertos, esses vestígios históricos podem mostrar muito mais sobre a vida nas cavernas. Por exemplo, com o descobrimento, podemos dizer que muito antes dos assentamentos sedentários, os humanos já se preocupam com a qualidade das camas.

Embora outros “tecidos” de cama já tinham sido descobertos em outras regiões do sul da África, pela primeira vez vemos a utilização de cinzas na construção das camas. Conforme o estudo lançado na Archaeological Science, foram encontrados constantes camadas de cinzas debaixo dos leitos.

Dessa maneira, puderam constatar que os antigos utilizavam as cinzas para espantar insetos, manter a cama seca e quente durante a noite ao mesmo tempo que diminuía o contato com o chão. Ou seja, para além da grama entrelaçada, as cinzas também serviam de “roupa de cama”.

Mesmo que fossem encontradas variações na forma de “estender” as cinzas, o hábito foi frequente por milênios, sinal de costume na longa duração. Nesse mesmo sentido, um dos montes de cinzas revelou que os materiais tinham origens de épocas diferentes, sinal de manutenção frequente e repetida.

Além disso, os materiais que datam de 60.000 a 43.000 anos atrás, indicam que as ocupações, devido a menor dedicação para as camas, foram mais curtas ou grupos menores ocupando a caverna.

De todo modo, a pesquisa traz à tona que mesmo em ambientes nômades, os seres humanos mantinham hábitos na hora de construir suas “camas”. Mais antigo do que as casas, é o costume de “estender o lençol”.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: