Capela onde Machado de Assis se casou tem futuro incerto
Capela onde Machado se casou com Carolina Augusta Xavier de Novais em 1869 está localizada no Rio de Janeiro

A capela onde se casou o escritor Machado de Assis, um dos maiores nomes da literatura brasileira, está com futuro incerto. A estrutura que, em 1869, foi palco da cerimônia que selou o laço entre o autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e Carolina Augusta Xavier de Novais fica no Rio de Janeiro, especificamente em um terreno na Rua Cosme Velho, número 218.
Nos últimos dias, a área voltou ao centro das atenções depois que visitas técnicas despertaram preocupação entre moradores e defensores do patrimônio histórico, como aponta o Blog do Ancelmo Gois, do portal Globo. Segundo a fonte, residentes da região contaram que representantes de uma incorporadora estiveram no local na última segunda-feira a fim de avaliar as condições do terreno e que, entre os aspectos analisados, estariam a viabilidade de novas fundações, as características do solo e a eventual necessidade de remoção de árvores existentes na propriedade.
A movimentação reacendeu temores antigos sobre o destino do espaço, que envolviam a possibilidade de receber um empreendimento imobiliário considerado incompatível com as características urbanísticas e históricas do entorno. Além da capela, o terreno abriga uma extensa vegetação, incluindo palmeiras imperiais.
Diante das preocupações, foram encaminhados ofícios ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), ao Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), solicitando atenção ao caso e medidas que garantam a preservação do conjunto histórico.
Na Assembleia Legislativa
A discussão também chegou à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, onde a deputada Dani Balbi (PCdoB) apresentou um projeto de lei que institui a Política Estadual de Preservação do Patrimônio Histórico Literário do Rio de Janeiro. A proposta prevê a criação de um cadastro oficial de imóveis, acervos e espaços relacionados à trajetória de escritores fluminenses, além de estabelecer mecanismos para impedir descaracterizações ou demolições sem a devida análise dos órgãos responsáveis pela proteção patrimonial.
A memória literária do Rio não pode depender da boa vontade do mercado imobiliário ou de disputas pontuais. Precisamos de uma política permanente para proteger espaços que contam a história do nosso estado”, disse a parlamentar.
Conforme destacou o blog, a capela ganhou maior visibilidade depois que denúncias envolvendo um possível projeto imobiliário para a área vieram à tona. Entre as principais preocupações que envolvem a capela estão sua preservação e a manutenção da vegetação existente.