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Descoberta na Dinamarca aponta que imagem dos vikings teria sido distorcida

Sítio de produção têxtil com mais de mil anos revela organização econômica complexa e conexões comerciais de longa distância

Arqueólogos encontraram 82 casas subterrâneas, onde suspeitam que pessoas viviam e trabalhavam. - Museu Moesgaard

Uma descoberta arqueológica na Dinamarca está ajudando a transformar a visão tradicional sobre os vikings. Conhecidos popularmente como guerreiros e saqueadores temidos, os povos nórdicos agora ganham um novo retrato graças à identificação de um enorme centro de produção têxtil na região de Søften, próximo à cidade de Aarhus, na península da Jutlândia.

Como repercutido na revista Smithsonian, os vestígios encontrados sugerem que os habitantes da região participavam de uma ampla rede de comércio e produção organizada, indicando um nível de planejamento econômico muito mais sofisticado do que o normalmente associado aos vikings.

Segundo os pesquisadores, a descoberta reforça a ideia de que essas populações não eram apenas grupos dedicados a incursões militares, mas também integravam sociedades estruturadas e conectadas a mercados de grande alcance.

Centro de produção ocupava área impressionante

O sítio arqueológico ocupa uma área superior a um milhão de pés quadrados e tem pelo menos mil anos de idade.

Os arqueólogos acreditam que ele tenha funcionado entre o final da Idade do Ferro e o início da Era Viking, aproximadamente entre os anos 600 e 950 d.C.

A área inclui uma zona destinada ao processamento de linho, fibra vegetal amplamente utilizada na produção de tecidos. Além disso, foram identificadas 82 cabanas semi-enterradas, onde os pesquisadores acreditam que pessoas viviam e trabalhavam.

Também foi encontrada uma única residência principal, fato que sugere a existência de uma figura central responsável por coordenar recursos e supervisionar a produção do local.

Ferramentas revelam atividade especializada

Outros artefatos encontrados no local incluem uma tesoura, uma faca e uma chave. – Museu Moesgaard

As escavações tiveram início em agosto de 2025 e revelaram uma série de objetos relacionados à fabricação de tecidos.

Entre os artefatos encontrados estão fusos utilizados para transformar fibras em fios e pesos de tear empregados para manter os fios esticados durante o processo de tecelagem.

Os arqueólogos também localizaram moedas de prata, pérolas, contas, fragmentos de cerâmica, uma tesoura, uma faca e uma chave.

O conjunto de descobertas indica que a produção realizada em Søften estava integrada a atividades econômicas mais amplas e não atendia apenas às necessidades locais.

Produção estava ligada a uma rede comercial maior

Segundo os pesquisadores, a escala do assentamento demonstra que os tecidos produzidos ali provavelmente circulavam muito além da região de Søften.

A proximidade com Aarhus, importante centro comercial da época, reforça essa hipótese.

Durante a Era Viking, Aarhus, então conhecida como Aros, funcionava como um importante núcleo de comércio e poder político, mantendo conexões com diferentes regiões da Escandinávia e outras partes da Europa.

Os arqueólogos acreditam que habitantes de vilas e assentamentos próximos levavam seus produtos até a cidade, de onde eles poderiam alcançar mercados mais distantes.

Região tem revelado importantes vestígios vikings

Pesquisadores suspeitam que este artefato tenha sido usado na produção têxtil. – Museu Moesgaard

A área ao redor de Aarhus tem produzido diversas descobertas arqueológicas nos últimos anos.

Em 2024, pesquisadores localizaram um grande cemitério da Era Viking na vila de Lisbjerg, situada a poucos quilômetros de Søften. O local continha cerca de 30 sepulturas, algumas delas acompanhadas por objetos valiosos como moedas, cerâmicas, pérolas, fios de ouro e tesouras.

As descobertas sugerem que parte das pessoas enterradas ali possuía elevado status social, embora também tenham sido encontradas sepulturas mais simples, possivelmente associadas a indivíduos escravizados.

Na mesma região, um estudante de arqueologia encontrou sete pulseiras de prata utilizando um detector de metais. Os objetos foram posteriormente datados do século 9 d.C. e podem ter servido tanto como adornos quanto como forma de pagamento.

Com novas análises previstas, incluindo datação por carbono e estudos de pólen, os pesquisadores esperam compreender melhor a natureza da produção têxtil realizada em Søften e aprofundar o conhecimento sobre a organização econômica das sociedades vikings.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes