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Confira 5 descobertas recentes sobre a Segunda Guerra Mundial

De submarino intacto, valas comuns e símbolos nazistas ocultos em quadros, confira 5 descobertas recentes relacionadas à Segunda Guerra Mundial

Fotografia de soldados em trincheira durante a Segunda Guerra Mundial / Crédito: Getty Images

A Segunda Guerra Mundial, ocorrida entre os anos de 1939 e 1945, permanece consolidada na história da humanidade como o maior e mais devastador conflito militar global já registrado. O embate envolveu a mobilização de dezenas de nações em escala planetária, divididas de maneira central entre dois grandes blocos de alianças militares rivais: os Aliados — coalizão liderada primordialmente pelo Reino Unido, União Soviética e Estados Unidos — e o Eixo, composto fundamentalmente pelas potências totalitárias da Alemanha nazista, Itália fascista e Império do Japão.

Originado pelo expansionismo agressivo e pelas invasões territoriais promovidas pelo regime de Adolf Hitler na Europa, o conflito espalhou-se rapidamente por múltiplos continentes e oceanos, resultando em uma mobilização industrial e humana sem precedentes, além de um saldo trágico estimado em dezenas de milhões de mortes decorrentes de combates navais, aéreos, terrestres e de crimes sistemáticos contra a humanidade.

Apesar de mais de oito décadas terem se passado desde a rendição formal das forças do Eixo e o encerramento definitivo das hostilidades globais, o legado e os vestígios daquele período continuam a emergir na contemporaneidade de maneira surpreendente. O avanço de tecnologias modernas de investigação, o trabalho persistente de equipes de arqueologia forense e até mesmo intervenções cotidianas de infraestrutura urbana têm possibilitado a localização de artefatos e locais de sepultamento que haviam sido completamente esquecidos pelo tempo.

Essas revelações funcionam como importantes documentos históricos, preenchendo lacunas sobre os momentos finais do conflito, humanizando dados estatísticos por meio da identificação de combatentes desaparecidos e desvendando mistérios navais que resistiam no fundo dos oceanos. A seguir, confira algumas das 5 descobertas científicas e arqueológicas recentes que ajudam a reescrever e compreender em mais detalhes os anos da Segunda Guerra Mundial:

1. Sabre militar na Polônia

Sabre Segunda Guerra Mundial capa
Sabre da Segunda Guerra Mundial encontrado na Polônia – Historical and Exploration Association “Nadwiślańskie Urzecze”

Uma busca conduzida por caçadores de relíquias com o auxílio de detectores de metal resultou na descoberta de um antigo sabre da Segunda Guerra Mundial sepultado em uma zona florestal na Polônia. O achado ocorreu na área rural do condado de Ryki, no leste do país, uma região geograficamente marcada pelo avanço e por severos confrontos envolvendo forças soviéticas e nazistas.

Embora o decurso do tempo tenha causado corrosão na estrutura metálica da peça, as características essenciais do armamento continuam visíveis, o que viabiliza análises detalhadas a respeito da sua fabricação e do contexto de utilização tática nas frentes de batalha.

Especialistas em história militar sugerem que o sabre pertenceu originalmente a um oficial do exército ou a membros de divisões de cavalaria, forças que ainda desempenhavam funções de relevância estratégica nas fases iniciais das campanhas militares no Leste Europeu. Mesmo diante da consolidação e da predominância de armamentos de fogo automáticos no século 20, esse modelo de lâmina permaneceu em uso por lideranças militares como um símbolo de autoridade ou em situações de combate a curta distância.

O território polonês, onde o conflito teve início formal em 1939 com a invasão alemã, segue registrando descobertas frequentes de armamentos, aeronaves e vestígios humanos do período, os quais, por determinação legal, são encaminhados a órgãos de proteção do patrimônio histórico para restauração e posterior exibição em acervos de museus.

2. Oficial alemão em vala comum

Restos mortais encontrados em vala da Segunda Guerra na Polônia / Crédito: Divulgação/POMOST

Pesquisadores de arqueologia e medicina forense alcançaram a identificação formal dos restos mortais do tenente da reserva alemão Hubert Gomolka, sepultado em uma vala comum na cidade de Lubań, no sudoeste da Polônia. O oficial foi morto em 1º de março de 1945 durante a Batalha de Lauban, um dos últimos contra-ataques bem-sucedidos conduzidos pela Alemanha na Frente Oriental nos meses derradeiros do conflito.

A cova coletiva, contendo os esqueletos de 22 combatentes, foi localizada nas proximidades de um antigo hospital situado na Rua Zawidowska, uma área crítica de defesa urbana contra a ofensiva promovida pelas tropas da União Soviética na Baixa Silésia.

A ossada de Gomolka destacou-se no conjunto por corresponder a um homem de idade mais avançada, vestido com um casaco militar que ainda exibia insígnias oficiais de comando. A confirmação da identidade ocorreu a partir do cruzamento de documentos históricos da época com objetos pessoais e placas de identificação militar encontradas junto aos demais corpos.

Gomolka, que já havia atuado como combatente na Primeira Guerra Mundial, exercia a profissão civil de dentista na localidade. Em fevereiro de 1945, apesar de uma limitação física na mão esquerda, ele reassumiu funções militares para chefiar cerca de 200 moradores recrutados às pressas pela Volkssturm — uma milícia civil de defesa formada por idosos e adolescentes sem treinamento adequado. A investigação histórica e preservação dos artefatos contaram com a colaboração do historiador Arkadiusz Wilczyński e da Associação de Entusiastas da Alta Lusácia.

3. Vala comum de soldados alemães

Cova onde foram encontrados esqueletos na Polônia – Crédito: Divulgação/POMOST

Trabalhos de terraplenagem para a extração de matérias-primas em uma pedreira operada pela empresa Efekt-Silikaty, perto da vila de Bolemin, no oeste da Polônia, expuseram uma vala comum inédita contendo os restos mortais de 14 soldados de origem alemã.

A presença de ossos e calçados militares de época perto da superfície do terreno foi notada pelo operador de uma carregadeira, Paweł Gontarczyk, que acionou imediatamente as forças policiais da região. O achado deu início a uma investigação técnica supervisionada diretamente pelo Ministério Público da cidade de Gorzów Wielkopolski, com a participação de arqueólogos e especialistas em exumações de guerra.

A ausência de registros documentais ou arquivos históricos anteriores a respeito desse sepultamento específico indica que o túmulo raso remonta ao período final da guerra, marcado por intensas movimentações militares e combates severos decorrentes do avanço soviético em direção ao território da Alemanha. Dentre as evidências materiais coletadas no sítio arqueológico, os pesquisadores resgataram uma placa de identificação militar preservada e um objeto gravado com a inscrição do nome “Dechriste”, elementos que estão sob análise técnica e podem viabilizar a identificação nominal dos mortos.

O fato de a vala ter permanecido oculta por mais de oito décadas é explicado pelas severas modificações antrópicas na topografia local, onde a mineração e a produção de silicato transformaram antigos campos rurais em bacias de água, alterando significativamente a paisagem.

4. Submarino USS Herring

Fotografia do USS Herring antes de naufragar / Crédito: Divulgação/Comando de História e Patrimônio Naval

A Marinha dos Estados Unidos, por meio de uma avaliação técnica conduzida pelo Naval History and Heritage Command (NHHC), oficializou a identificação dos destroços do submarino norte-americano USS Herring, que naufragou em junho de 1944. A estrutura da embarcação repousa a uma profundidade superior a 90 metros no fundo do Pacífico Norte, nas imediações da ilha de Matsuwa, integrante do arquipélago das Curilas — uma faixa territorial situada geograficamente entre as fronteiras do Japão e da Rússia.

Embora uma expedição marítima de cooperação russa tivesse avistado a carcaça no ano de 2017, a confirmação definitiva da identidade do navio foi obtida apenas recentemente, por meio do exame de imagens detalhadas e danos no casco.

O naufrágio do USS Herring constitui um episódio singular na história náutica da Segunda Guerra Mundial por se tratar do único submarino dos Estados Unidos afundado de forma direta pela ação de baterias de artilharia instaladas na costa por forças inimigas. Conforme arquivos históricos produzidos pelo Japão na época do combate, a embarcação havia acabado de torpedear dois cargueiros quando foi localizada perto do litoral da ilha de Matsuwa; canhões terrestres abriram fogo imediato, atingindo em cheio a torre de comando antes de o submarino submergir em meio à néblina.

As evidências em profundidade demonstram perfurações compatíveis com impactos de projéteis de artilharia na estrutura superior e avarias na proa que apontam para um encalhe prévio à tentativa de fuga. O ataque resultou na morte de todos os 83 tripulantes a bordo da embarcação, que hoje possui status de túmulo de guerra sob proteção legal do governo americano.

5. Símbolos nazistas em pintura de Erich Mercker

Imagens da pintura de Erich Mercker investigada no estudo / Crédito: Mantouvalou et al., NPJ Heritage Science (2026)

Uma análise tecnológica realizada com espectroscopia de fluorescência de raios X revelou que uma pintura do artista plástico alemão Erich Mercker ocultou símbolos políticos associados ao Terceiro Reich sob camadas sobrepostas de tinta aplicadas após o término da guerra.

A peça investigada, intitulada “Die Stätte des 9. November” (A Rua do 9 de Novembro), retrata a praça Odeonsplatz, em Munique, exibindo uma composição urbana aparentemente neutra dominada por uma bandeira da Baviera em azul e branco. As investigações foram motivadas pelas observações do cineasta Thomas Schuhbauer, que identificou incoerências cronológicas na cena, como a representação parcial de um memorial nazista demolido em 1945 e marcas residuais de pigmento vermelho na borda da bandeira.

A pesquisa científica não destrutiva, liderada pela física Ioanna Mantouvalou e publicada no periódico científico NPJ Heritage Science, revelou que o desenho original apresentava elementos radicalmente distintos. Sob a pintura atual, foram encontrados vestígios de uma bandeira do partido nazista com indícios estruturais de uma suástica central, além de guarnições militares uniformizadas, coroas de flores decorando o monumento e duas figuras com os braços erguidos em saudação oficial ao regime.

O estudo comprovou que as modificações foram efetuadas com alta concentração de pigmento branco de titânio, idêntico a tubos de tinta recolhidos no antigo ateliê de Mercker. O pintor, nascido em 1891, desfrutou de prestígio institucional e teve obras adquiridas pelo governo de Adolf Hitler. A descoberta representa o primeiro registro material documentado de uma alteração realizada pelo próprio pintor ou em seu estúdio entre os anos de 1945 e 1966 para adequar comercial e politicamente seu trabalho ao contexto pós-guerra.


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Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.