Vila romana rara na Grã-Bretanha revela vestígios raros
Projeto de escavação documenta vestígios de vila romana que sofreu danos devido à atividade agrícola

O projeto Saving Halberton’s Ancient Roman Enviroment, no sítio de uma vila romana próxima de Halberton, em Devon, Grã-Bretanha, foi iniciado há cinco anos e busca registrar e estudar o sítio antes que suas estruturas desapareçam nas terras agrícolas.
Na região de Devon, as vilas romanas são raras. Os pesquisadores afirmam que o sítio encontrado em Halberton é importante para entender sobre o povoamento romano no sudoeste da Grã-Bretanha e, por esse motivo, iniciaram o projeto.
Em 2004, um detectorista encontrou material romano na área. Com isso, foram feitos levantamentos geofísicos que revelaram diversas fases de arqueologia enterrada.
Por meio das investigações, foram encontradas cerca de três construções romanas, incluindo a vila encontrada, recintos, limites de terreno, muros e superfície de piso, segundo a Archaeology News.
Além disso, as escavações revelaram diversos vestígios como moedas romanas, broches, fragmentos de cerâmica, materiais de construção cerâmicos, resíduos industriais, ardósia trabalhada e tesselas.
Descoberta importante
Durante uma escavação de teste, em 2021, os arqueólogos descobriram parte de um piso de mosaico romano. Segundo os arqueólogos, atualmente, esse é o exemplo mais ocidental de um mosaico policromático, com tesselas vermelhas, brancas e pretas, identificado na Grã-Bretanha.
Esse elemento decorativo era geralmente associado a famílias endinheiradas. Além disso, foram encontradas evidências de um provável sistema romano de aquecimento subterrâneo, o hipocausto. Esses achados sugerem que a residência, ocupada entre o século 2 e 4 d.C., era de alto padrão e status.
No primeiro ano do projeto, os voluntários e especialistas realizaram uma escavação de avaliação que durou duas semanas. Duas escavações lineares revelaram vestígios substanciais de paredes que pereceram à construção.
Também descobriram que algumas paredes de pedra foram retiradas em outros períodos e seus materiais de construção foram removidos para a reutilização em outras construções. Apesar disso, os vestígios que restaram são suficientes para mostrar a dimensão do complexo romano.
Recentemente, uma estrutura semelhante a um tanque foi encontrada revestida com opus signinum, um tipo de concreto romano utilizado para deixar impermeável, feito com argamassa de cal misturada com cerâmica, tijolo ou telha triturados. Esse material era utilizado com bastante frequência em aquedutos, cisternas e outras estruturas que tinham água.
O revestimento impermeável levou os arqueólogos a acreditarem que a estrutura recém-descoberta poderia ser parte de um balneário, indicando que havia indícios de riqueza e conforto no assentamento encontrado.
Novas escavações estão previstas para se iniciarem entre maio e junho. Alunos de arqueologia da Universidade de Exeter irão trabalhar no local durante quatro semanas e contarão com o apoio de voluntários da comunidade.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes