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Museu Afro Brasil celebra o futebol como uma prática cultural negra

Exposição Ginga reúne obras de artistas do Brasil e do Benim para discutir identidade e ancestralidade no esporte até o mês de agosto no Ibirapuera

Painel criado por Mariana Calle para a mostra "Ginga", em cartaz no Museu Afro Brasil - Foto: Divulgação

O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, localizado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega no Parque Ibirapuera, inaugurou a exposição intitulada “Ginga, A celebração do Futebol na Arte Afro-Atlântica”. A mostra propõe uma leitura do esporte para além da competição, apresentando-o como uma linguagem compartilhada que articula memórias e processos históricos de comunidades negras. Conforme reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, a exibição destaca como o futebol é capaz de construir vínculos sociais e identidades em diferentes regiões do Atlântico.

 

Movimento e inteligência corporal 

A mostra toma como eixo central o conceito de ginga, associado diretamente ao movimento, à habilidade e à improvisação. Essa forma de inteligência corporal, presente na capoeira, na dança e em diversas manifestações de matriz africana, é um traço marcante da presença negra no futebol brasileiro

A superintendente artística do museu, Vera Nunes, explica que o projeto busca aproximar a ancestralidade da cultura urbana contemporânea. “O público é convidado a olhar para o futebol como um espaço de encontro, criação e construção de pertencimentos”, afirmou a gestora em comunicado oficial divulgado pela instituição.

Conexões entre dois mundos 

O percurso artístico é ancorado pela instalação Stadium (2014), de autoria do artista beninense Aston. Produzida com materiais reaproveitados como madeira, plástico e fios metálicos, a obra recria um campo de futebol, estabelecendo diálogos entre sustentabilidade e coletividade. 

Além dele, as brasileiras NeneSurreal e Mariana Calle, artistas reconhecidas por suas trajetórias no muralismo e na arte urbana, apresentam intervenções inéditas desenvolvidas especialmente para o projeto. Seus murais trazem referências das periferias e da cultura afro-brasileira, tratando o futebol como uma experiência cotidiana e um elemento de resistência simbólica.

Interação com o público 

Para aproximar os visitantes da dinâmica do jogo, a experiência expositiva inclui mesas de futebol de botão que representam seleções de diversos países. Segundo informações divulgadas pelo veículo Viva a Cidade, o recurso interativo reforça o caráter participativo da mostra e convida o visitante a se reconhecer nas dinâmicas lúdicas do esporte. Esse resgate é fundamental para compreender a trajetória de grandes ídolos como Pelé e Leônidas da Silva, cujas carreiras simbolizam o futebol como veículo de ascensão social para a população negra.

A exposição Ginga segue em cartaz até o dia 2 de agosto, com visitação aberta de terça a domingo, das 10h às 17h. O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo está localizado na Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Conforme informações da Instituição, os ingressos para a mostra variam de R$ 7,50 (meia-entrada) a R$15 (inteira), com gratuidade garantida aos visitantes em todas as quartas-feiras.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Meu propósito é dar voz a narrativas.