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Dia dos Beatles: 5 fatos não tão conhecidos sobre a banda

De situações inusitadas ao destino improvável do último show: confira curiosidades sobre a maior banda da história da música

Os Beatles em 1967
Os Beatles em 1967 - Getty Images

Pela primeira vez de maneira oficial, o “Dia dos Beatles” é comemorado mundialmente neste 25 de junho pelos fãs e admiradores do lendário quarteto de Liverpool. A data foi instituída pelo próprio espólio da banda no início do mês.

John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr — Os Beatles são amplamente reconhecidos pela crítica e pelo público como o grupo de rock mais influente de todos os tempos. Com 13 álbuns lançados entre 1963 e 1970 (fora antologias e coletâneas posteriores), os Fab Four se firmaram como pioneiros na experimentação de diversas técnicas de estúdio e ideias temáticas que posteriormente se transformariam em subgêneros do rock.

A música “Helter Skelter”, por exemplo, é tida por alguns fãs e críticos como a primeira do gênero heavy metal, enquanto o aclamado álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” é considerado o auge do primor artístico dos Beatles, por ter conferido uma nova roupagem ao rock psicodélico com as orquestrações do produtor George Martin.

Mas essas são curiosidades relativamente “familiares” ao grande público. A seguir, listamos alguns fatos não tão conhecidos da biografia do quarteto.


A primeira vez de George (e outras intimidades)

Se os Beatles eram capazes de causar alvoroços públicos e um frisson nunca mais reproduzido por qualquer artista da indústria musical, ao mesmo tempo, a vida pessoal dos meninos de Liverpool estava longe de ser livre de “molecagens”, principalmente nos anos iniciais da Beatlemania (fenômeno que impulsionou o sucesso global do quarteto).

Entre 1960 e 1962, em meio a uma agenda lotada de shows em Hamburgo, Alemanha, os Beatles (ainda com o baterista Pete Best) muitas vezes se envolviam e tinham relações com fãs ou groupies da banda. Foi neste contexto que George Harrison, o mais novo do grupo, perdeu a virgindade. Em relato do próprio Harisson repercutido pela coletânea Tune In, do pesquisador Mark Lewisohn, o guitarrista afirmou:

Minha primeira trepada foi em Hamburgo, com Paul, John e Pete Best assistindo. Estávamos em beliches. Eles não enxergavam nada porque eu estava debaixo das cobertas, mas depois que terminei eles aplaudiram e comemoraram. Pelo menos ficaram quietos enquanto eu estava no ato.”

 

Pete Best (dir.) ao lado de Paul, George e John
Formação inicial dos Beatles – Divulgação/ Pete Best

A vida sexual dos músicos não era um tabu no contexto da banda. Paul McCartney admitiu em entrevista à GQ que, nos anos iniciais da banda, os músicos participavam de sessões de masturbação em grupo na casa de John Lennon. Em algumas ocasiões, eles chegaram a se reunir em um quarto escuro, gritando nomes de celebridades da época para estimular uns aos outros.

Em 1962, o próprio Lennon teria protagonizado um affair com o empresário da banda, Brian Epstein, em viagem a dois à Barcelona. Segundo rumor repercutido pela biografia “In My Life”, de Pete Scholton e Nicholas Schaffmer, o beatle teria demonstrado grande interesse nas experiências homossexuais do amigo e, após conversarem sobre isso em um jantar, teriam se envolvido sexualmente na mesma noite.


A prisão dos Beatles na Alemanha

Ainda durante o tempo da estada em Hamburgo, os Beatles protagonizaram uma polêmica inusitada que resultaria na prisão de Paul e Pete. Na primeira viagem do quarteto à Alemanha, em 1960, eles foram alocados precariamente nos fundos de um antigo cinema de rua pelo gerente da casa de shows na qual tocavam.

Insatisfeitos com as condições da estada e do ambiente de trabalho (cumprindo até 8 horas de shows por dia), o grupo passou a tocar em um estabelecimento rival, o que teria enfurecido o contratante anterior. Como último protesto, McCartney e Best atearam fogo em uma camisinha no alojamento, conforme relembrou o baixista à People em 1998.

Os músicos foram denunciados e presos por tentativa de incêndio. Um pouco antes, o antigo gerente já havia denunciado Harrison, então com 17 anos, por ter se estabelecido no país em situação irregular, e o guitarrista foi deportado da Alemanha.


Cheiro desagradável nos shows

Quando a Beatlemania estourou ao redor do mundo entre 1963 e 1965 (já com Ringo Starr no lugar de Best), as cidades que receberam os Beatles simplesmente pararam. Multidões em polvorosa se aglomeravam para receber e tietar o quarteto de Liverpool por onde o grupo passasse. Nos shows, a euforia era ainda maior, com fãs gritando e aplaudindo no começo, no decorrer e no fim de todas as músicas. Em várias ocasiões, os músicos lembraram que a gritaria tornava difícil a própria comunicação e audição entre eles no palco.

Entretanto, além da comoção, fãs também relataram posteriormente que os locais dos shows eram frequentemente tomados pelo cheiro de urina, fosse pela liberação de feromônios com a grande excitação ou mesmo por alguns “acidentes na empolgação”.


A “quase morte” nas Filipinas

Em julho de 1966, os Beatles estavam em turnê pelo país. O problema começou quando eles aparentemente “desprezaram” um convite da primeira-dama filipina, Imelda Marcos, esposa do ditador Ferdinand Marcos. O grupo tinha uma política de não participar de eventos políticos ou oficiais, e Brian Epstein sequer entendeu o convite como um compromisso obrigatório. Quando uma comitiva apareceu para levá-los ao palácio, os Beatles ainda estavam no hotel e recusaram a ida.

A situação foi transformada pela mídia local em um insulto nacional. A televisão exibiu imagens de crianças supostamente decepcionadas esperando os Beatles no palácio, e a narrativa de que a banda havia humilhado a primeira-dama espalhou-se rapidamente.

A retaliação veio quase imediatamente: a proteção policial foi retirada, os funcionários do hotel deixaram de ajudá-los e o transporte para o aeroporto desapareceu. A banda e sua equipe passaram a ser tratados como inimigos públicos.

No aeroporto de Manila, o pesadelo atingiu o auge. Eles foram empurrados, chutados, insultados e cercados por multidões hostis. Escadas rolantes foram desligadas para obrigá-los a carregar seus próprios equipamentos pesados. Membros da equipe dos Beatles foram vítimas de ataques físicos, incluindo Brian Epstein. Algumas testemunhas relataram a presença de homens uniformizados participando das agressões.

O grupo também foi impedido de deixar o país até que questões financeiras fossem resolvidas. Houve cobrança de taxas e retenção de parte do dinheiro dos shows.

Quando finalmente embarcaram, vários integrantes da equipe acreditavam que poderiam levar um tiro nas costas antes de chegar ao avião. Paul McCartney recordou que, ao entrar na aeronave, eles chegaram a beijar os assentos de alívio. Curiosamente, pouco depois de os Beatles decolarem, o próprio Ferdinand Marcos divulgou uma nota dizendo que o incidente havia sido apenas um “mal-entendido”. Mas o estrago já estava feito. Os Beatles juraram nunca mais voltar às Filipinas.


O último show dos Beatles

A ideia original dos Beatles era fazer o último show ao vivo da banda nas pirâmides do Egito. Essa ideia surgiu junto a várias outras sugestões tão mirabolantes quanto. Na virada de 1968 para 1969, a banda tinha planos para encerrar o projeto Get Back — que culminaria no já mencionado álbum “Let It Be” — com um grande e memorável espetáculo.

Mas o grupo estava dividido: Paul queria voltar aos palcos, John estava hesitante, George já não tinha paciência para turnês, e Ringo iria junto somente se os outros topassem.

Mesmo assim, o produtor Michael Lindsay-Hogg, que dirigia o documentário do álbum, sugeriu várias locações grandiosas para um concerto de despedida, que incluíam: um anfiteatro romano no Norte da África, um navio particular no meio do oceano, uma ilha deserta só com os fãs convidados, um vulcão, o deserto da Líbia e até as Pirâmides de Gizé, no Egito.

Os Beatles se apresentam no telhado da Apple Corps – Getty Images

A proposta era quase cinematográfica: a banda tocaria diante das pirâmides, com a grandiosidade das construções milenares como cenário — uma espécie de despedida “mítica” e universal. O problema é que a logística era absurda (custos altíssimos, transporte de equipamentos, burocracia com o governo egípcio, e claro, a resistência de George e John, que não queriam um show megalomaníaco). Então, a ideia foi descartada.

O que restou foi a solução improvisada e lendária: o concerto no telhado da Apple Corps, em Londres, em 30 de janeiro de 1969. Ou seja, de um sonho de pirâmides e ruínas romanas, a última performance ao vivo dos Beatles acabou acontecendo no topo de um prédio em plena cidade cinzenta, de modo simples e espontâneo — mas que se tornou igualmente icônico.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.