O capacete romano raro é o primeiro do tipo já encontrado na Dinamarca, junto a várias armas enterradas sob casa de chefe da Idade do Ferro
Publicado em 04/02/2025, às 13h30
Durante escavações que antecederam um projeto de expansão de rodovia em um local chamado Løsning Søndermark, na Dinamarca, arqueólogos descobriram um impressionante esconderijo que abrigava mais de 100 armas, soterradas sob a casa de um antigo chefe local da Idade do Ferro. Entre os artefatos encontrados, destaca-se um capacete romano, que é o único do tipo já encontrado no país.
Com 1.500 anos, a coleção é grande o suficiente para equipar um pequeno exército, e pode ter sido enterrada no local como um "sacrifício" ou talvez como uma oferta, segundo os especialistas envolvidos no estudo.
O grande número de armas é surpreendente, mas o que mais me fascina é o vislumbre que elas fornecem da estrutura social e da vida cotidiana da Idade do Ferro", afirma Elias Witte Thomasen, arqueólogo do Museu de Vejle e líder da escavação, em declaração. "De repente, nos sentimos muito próximos das pessoas que viveram aqui há 1.500 anos".
Vale mencionar ainda que, entre os séculos 1 e 4 d.C., a Dinamarca estava bem na periferia do Império Romano, sendo parte da Germânia maior. Em geral, quem vivia naquela área eram simples fazendeiros, mas figuras como Júlio César descreveram que a região era habitada por violentos guerreiros germânicos.
Estudiosos apontam que romanos podem inclusive ter fornecido armas às tribos locais, possivelmente como forma de assegurar a paz na fronteira com a Escandinávia, segundo o Live Science.
A descoberta do esconderijo ocorreu inicialmente em agosto de 2024. As armas de metal estavam dispostas sob duas casas do início do século 5 que, segundo os pesquisadores, provavelmente pertenceram a alguma figura poderosa do local, que poderia levantar até mesmo um pequeno exército.
Como as armas aparentemente foram enterradas de propósito, junto à demolição da casa, possivelmente elas foram sacrificadas após um sucesso na guerra. Ao todo, havia ali 119 lanças e arpões, oito espadas, cinco facas, um machado e um conjunto de cota de malha, também considerado raro, além dos restos do capacete, que foram encontrados meses depois.
Vale mencionar que, em todo o sul da Escandinávia, foram poucos exemplares de cota de malha da Idade do Ferro encontrados, sendo esta a primeira a ser recuperada em um assentamento, em vez de um enterro. Como esta era uma peça de armadura elaborada, cara e de difícil produção, possivelmente ela pertencia ao próprio chefe local, explicam os arqueólogos.
Descrito como um achado "excepcionalmente raro" em declaração, os fragmentos do capacete foram encontrados extremamente enferrujados. Porém, a partir de análises de raios X, foi possível observar com mais detalhes a placa do pescoço e a placa da bochecha decorada sob a ferrugem. O capacete é do tipo com crista, frequentemente usado no século 4 d.C. pelo Império Romano.
O capacete pode ter pertencido a um senhor da guerra germânico que serviu nas forças auxiliares romanas", afirma Elias Witte Thomasen na declaração. "Alternativamente, ele pode ter sido saqueado de um legionário romano [soldado] em batalhas mais próximas da fronteira germânica do Império".
Vale mencionar ainda que, além das armas, arqueólogos também encontraram no local fragmentos de dois anéis de pescoço de bronze. Conhecidos como "anéis de juramento", estes acessórios eram um símbolo de poder durante a Idade do Ferro, o que reforça a influência que o chefe da região exercia.
Também foram escavados fragmentos de um freio de cavalo e uma corneta, além de outros artefatos de ferro e bronze que ainda devem passar por estudos mais aprofundados.
Apesar de o esconderijo de armas claramente se relacionar à casa de um chefe da Idade do Ferro, os pesquisadores ainda não têm certeza sobre se os objetos pertenciam a guerreiros locais, ou mesmo se foram acumulados como espólios de guerra.
Porém, um tesouro semelhante e da mesma época encontrado em outra cidade dinamarquesa, Vindelev, a apenas 16 quilômetros de Løsning, sugere que a região era habitada por vários chefes poderosos.
Agora, os pesquisadores pretendem seguir analisando o local, a fim de compreender melhor como era a estrutura daquela sociedade e como eram os guerreiros durante a Idade do Ferro.