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Sonda New Horizons desperta após longa hibernação a bilhões de quilômetros da Terra

Missão da Nasa retomou atividades após quase um ano em hibernação e continua investigando objetos gelados na borda do Sistema Solar

Uma ilustração artística retrata a sonda New Horizons encontrando Plutão e sua maior lua, Caronte, em julho de 2015. - Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto de Pesquisa do Sudoeste

A sonda New Horizons, da Nasa, despertou de seu mais longo período de hibernação e retomou suas operações científicas a cerca de 9,5 bilhões de quilômetros da Terra, dando continuidade à missão de explorar a região mais distante do Sistema Solar. Responsável pelo histórico sobrevoo de Plutão em 2015, a espaçonave segue investigando os misteriosos objetos congelados do Cinturão de Kuiper, coletando informações que podem ampliar o conhecimento sobre a formação dos planetas e a estrutura do Sistema Solar.

A New Horizons entrou em modo de hibernação programado em 7 de agosto de 2025 e voltou a operar em 23 de junho, utilizando comandos previamente armazenados em seu computador de bordo. Segundo os controladores da missão, a espaçonave encontra-se em perfeitas condições e pronta para transmitir os dados científicos registrados durante esse período.

Missão continua explorando o Cinturão de Kuiper

A espaçonave New Horizons capturou uma imagem do coração de Plutão em 14 de julho de 2015. – Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute/NASA

Após despertar, a equipe do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, em Maryland, confirmou que a sonda permanece totalmente operacional.

Atualmente, a New Horizons está na região conhecida como Cinturão de Kuiper, um vasto conjunto de objetos congelados localizado além da órbita de Netuno. Entre esses corpos está Plutão, além de milhares de objetos transnetunianos (TNOs), considerados remanescentes da formação do Sistema Solar, ocorrida há cerca de 4,5 bilhões de anos.

A missão ganhou destaque mundial em 2015, quando realizou o primeiro sobrevoo detalhado de Plutão e de suas luas, transformando a compreensão científica sobre o planeta anão. Quatro anos depois, em 2019, a espaçonave também estudou de perto Arrokoth, um objeto transnetuniano conhecido por seu formato semelhante ao de um boneco de neve.

Dados ajudam a entender como os planetas se formam

Mesmo após esses marcos, a New Horizons continua reunindo informações inéditas.

Entre os estudos realizados estão medições sobre a rotação, orientação e formato dos objetos congelados que habitam o Cinturão de Kuiper. Segundo Pontus Brandt, cientista do projeto, esses dados ajudam a compreender como poeira e pequenas rochas deram origem aos planetas.

O pesquisador destacou que a missão encontrou um número maior de objetos binários semelhantes a Arrokoth do que os cientistas esperavam.

“Parece haver mais corpos binários em forma de boneco de neve, como Arrokoth, do que qualquer um esperava”, afirmou Brandt.

Segundo ele, responder se esses sistemas representam a forma mais comum de planetesimais pode ajudar a explicar como planetas maiores surgiram tanto no Sistema Solar quanto em outros sistemas planetários.

Poeira e raios cósmicos também estão entre os alvos da missão

Além dos objetos congelados, a New Horizons também mede a distribuição de gases na heliosfera externa, a grande bolha formada pelo vento solar que protege o Sistema Solar.

Outro equipamento da missão monitora os raios cósmicos galácticos, partículas extremamente energéticas produzidas pela explosão de estrelas. Segundo Brandt, compreender melhor como a heliosfera bloqueia parte dessas partículas pode ser importante para futuras missões espaciais.

Os cientistas também se surpreenderam com as medições realizadas pelo Contador de Poeira Estudantil Venetia Burney. A expectativa era que a quantidade de poeira diminuísse após a espaçonave ultrapassar os limites conhecidos do Cinturão de Kuiper. No entanto, a New Horizons continuou registrando um ambiente rico em partículas.

Para a equipe, isso pode indicar que o Cinturão de Kuiper seja muito mais extenso do que se imaginava anteriormente.

Hibernações ajudam a prolongar a missão

Os períodos de hibernação fazem parte da estratégia da missão desde o lançamento da New Horizons, em janeiro de 2006.

Durante essas pausas, a espaçonave permanece em um modo de baixo consumo de energia, enquanto seu computador monitora continuamente os sistemas e envia sinais semanais aos controladores da missão.

Segundo Alice Bowman, gerente de operações da missão, todos os relatórios recebidos durante o período de hibernação indicaram que a sonda permaneceu funcionando normalmente.

Enquanto isso, seus instrumentos continuaram registrando e armazenando dados científicos para transmissão após o retorno das operações.

Atualmente, a New Horizons está em sua segunda missão estendida, prevista para terminar em 2029. No entanto, caso a espaçonave permaneça em boas condições e continue produzindo dados relevantes, a missão poderá ser prolongada. Se isso ocorrer, a sonda poderá seguir uma trajetória semelhante à das históricas Voyager, deixando a heliosfera e entrando no espaço interestelar.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes