China planeja criar estufa na Lua para missões de longa duração
Projeto chinês propõe estufa na Lua para proteger robôs da noite lunar, com temperaturas abaixo de -200 °C, e permitir missões mais longas

Uma equipe vinculada à Administração Espacial Nacional da China apresentou um projeto para construir uma estufa na superfície da Lua com o objetivo de proteger equipamentos robóticos durante missões de longa duração. A proposta foi divulgada nesta quarta-feira, 22, e faz parte dos esforços do país para ampliar sua presença no satélite natural.
De acordo com a engenheira Wang Qiong, do Centro de Exploração Lunar da CNSA, a estrutura seria construída com tecnologias adaptadas ao solo lunar e serviria como abrigo para rovers e outros dispositivos durante a chamada “noite lunar”. Esse período, que dura cerca de 14 dias terrestres, é marcado por temperaturas extremamente baixas, podendo cair abaixo de -200 °C — um dos principais obstáculos para a continuidade das operações na Lua.
A criação de uma estufa nesse ambiente hostil poderia garantir maior resistência aos equipamentos e permitir que missões permaneçam ativas por mais tempo na superfície lunar. A proposta busca, portanto, viabilizar operações prolongadas, reduzindo os impactos das condições climáticas severas que atualmente limitam a exploração.
Corrida espacial chinesa
A iniciativa ocorre em um momento de avanços recentes no programa espacial chinês, especialmente após a missão Chang’e-6. Em junho de 2024, a missão trouxe à Terra cerca de 1,9 quilo de amostras coletadas no lado oculto da Lua — um feito inédito até então. A análise desse material tem contribuído para ampliar o conhecimento científico sobre a formação e a evolução dessa região do satélite.
O projeto também reflete a estratégia da China de consolidar sua atuação no espaço por meio de missões robóticas. Até o momento, o país não enviou astronautas à Lua, mas os resultados obtidos com essas operações têm demonstrado um rápido desenvolvimento tecnológico e reforçado a ambição de realizar um pouso tripulado até 2030.
Nesse contexto, a preparação para missões com humanos já está em andamento. Em agosto do ano passado, a China realizou testes com um módulo lunar que deverá ser utilizado para transportar astronautas ao satélite. Os sistemas de subida e descida do equipamento passaram por uma série de verificações em uma área projetada para simular as condições da superfície lunar, localizada na província de Hebei.
O local de testes foi adaptado para reproduzir características do terreno da Lua, incluindo a refletividade do solo e a presença de rochas e crateras. Essas simulações permitem avaliar o desempenho dos equipamentos em condições semelhantes às que serão enfrentadas em uma missão real, repercute a CNN Brasil.
Embora detalhes adicionais sobre o programa tripulado ainda não tenham sido divulgados, os avanços recentes indicam que a China segue acelerando seus planos de exploração lunar. A proposta da estufa, voltada à proteção de robôs e à ampliação da permanência na superfície, surge como mais um passo nesse processo de expansão das capacidades espaciais do país.