Problema de fornecedores pode fazer NASA perder corrida à Lua para a China
Devido a atraso na empresa responsável pela fabricação dos trajes lunares, Nasa pode adiar seu pouso na Lua para 2031, um ano depois de previsão da China

Recentemente, o relatório emitido pelo Escritório de Inspetores Gerais da Nasa (OIG) trouxe à tona que os projetos de pouso na Lua em 2028 podem ser atrasados devido a problemas com o fornecedor de trajes espaciais.
Conforme a auditoria, o projeto da Artemis IV pode ser atrasado em até três anos. Ou seja, depois das perspectivas chinesas de pouso na Lua, projeção que têm abalado a comunidade americana.
Os problemas com o traje
Primeiramente é necessário destacar que a empresa responsável pela produção dos trajes é a Axiom Space. Ainda, já evitando qualquer proposta do gênero, os inspetores da Nasa já deixaram claro que os trajes feitos há 50 anos não foram feitos para durar e não podem ser utilizados pelos astronautas atuais.
Com os avanços tecnológicos, a Nasa tem investido em novos trajes para seus astronautas, pois o modelo antigo, utilizado por Neil Armstrong e companhia, tinha defeitos de temperatura e vazamento de água.
Conforme a Live Science, os relatórios iniciais sobre o traje eram “excessivamente confiantes” e estavam fadados à revisão de datas. A despeito dessa informação Deanna Lee, assistente de direção de auditoria do Escritório de Inspetores Gerais da NASA, disse em uma gravação:
Descobrimos que os cronogramas de demonstração originais eram excessivamente otimistas e irrealistas. […] Na verdade, ambos os naipes estão pelo menos um ano e meio atrasados. […] Embora a NASA esteja tomando medidas proativas para permitir o sucesso da Axiom, ela pode ser forçada a ajustar significativamente o cronograma da Artemis se a Axiom não puder atender às necessidades da Agência”.
Apesar do CEO da Axion ter informado que dará conta de entregar a tempo, a OIG destacou que o programa Artemis já está atrasado em outras áreas e acima de tudo, já está acima do orçamento estipulado pelos engenheiros.
Desse modo, segundo boatos, a Nasa pode até procurar reutilizar trajes de outras missões espaciais tripuladas, como a da Estação Espacial Internacional.
A China e o voo
Porém, o que mais tem pressionado a empresa interplanetária é a necessidade de chegar à Lua antes da China — uma vez que em um de seus anúncios oficiais, proclamaram que o homem voltaria a pisar na Lua em 2030.
O que torna esse assunto tão interessante, é justamente o retorno de outra potência comunista ao confronto direto com os Estados Unidos. Assim, uma memória direta da Guerra Fria assola as terras de Abraham Lincoln.
Perspectivas econômicas apontam para o decrescimento constante da economia dos Estados Unidos e a fuga desse capital para a China. Sintetizando, os Estados Unidos vêm perdendo espaço na economia global para o governo chinês.
Conforme teóricos da economia, história e sociologia, como Giovanni Arrighi, a hegemonia americana está profundamente ameaçada. Sua financeirização fez com que o capital produtivo fugisse do país.
Desse modo, mais uma vez os Estados Unidos se veem encurralados a demonstrar seu poder simbolicamente diante o mundo. É por isso que, apesar da Artemis II não pousar na Lua, há a projeção de que a Artemis IV possa pousar em 2028.
Porém, com os recentes descobrimentos de problemas com a engenharia espacial, a corrida espacial tecnológica entre os EUA e a China voltou a se tensionar. Em razão desses fatores podemos compreender o porquê das viagens espaciais voltarem à tona recentemente: há uma competição acirradíssima em cena novamente.
*Sob supervisão de Éric Moreira