Artemis II: relatos de astronautas revelam manchas verdes e marrons na Lua
Com o retorno da espaçonave, cientistas aguardam os dados visuais captados pelos astronautas, que superam a precisão das lentes espaciais e revelam segredos do nosso satélite

A missão Artemis II está prestes a concluir sua jornada histórica, mas os dados coletados já estão transformando a visão científica sobre o satélite natural.
Com o retorno da tripulação previsto para esta sexta-feira, 10, geólogos da NASA e de instituições parceiras demonstram entusiasmo com as imagens de alta resolução e os relatos visuais dos astronautas, que indicam nuances cromáticas inesperadas e fenômenos de impacto em tempo real.
O geólogo planetário Gordon Osinski, da Western University, destacou que as fotos transmitidas até agora sugerem descobertas profundas sobre a geologia lunar.
Entre os pontos mais intrigantes estão os relatos de Reid Wiseman e Jeremy Hanson, que observaram ao menos cinco flashes de impacto — luzes intensas geradas pela colisão de rochas espaciais — enquanto sobrevoavam o terminador lunar. Essa região de transição entre o dia e a noite oferece o contraste ideal para identificar novas crateras.
Novas cores e o fator humano
De acordo com informações da revista Live Science, além dos impactos, a percepção visual da tripulação trouxe um elemento novo ao debate científico: a presença de manchas verdes e marrons na superfície. Segundo Osinski, o olho humano possui uma sensibilidade a cores que muitas câmeras espaciais não conseguem captar com fidelidade.
Essas observações detalhadas, registradas em áudio e anotações por Christina Koch e os demais tripulantes, serão fundamentais para mapear a composição mineralógica de regiões antes vistas apenas em tons de cinza.
A experiência direta dos astronautas é vista como um diferencial insubstituível. O treinamento rigoroso, que incluiu expedições de Hanson, Jenni Gibbons e Raja Chari a crateras terrestres no Canadá, preparou a equipe para distinguir processos vulcânicos de impactos meteoríticos. Essa “consciência situacional” ajuda a selecionar áreas de interesse para futuras coletas de amostras.
Rumo aos próximos pousos
Os dados da Artemis II servirão de base para as próximas etapas do programa. Jacob Bleacher, cientista-chefe da NASA, afirmou que as informações auxiliam na definição de locais de pouso para a Artemis IV, prevista para 2028.
Enquanto o processamento das imagens de alta resolução continua, a comunidade científica celebra o sucesso da primeira missão tripulada à Lua em quase cinco décadas, unindo tecnologia de ponta e a perspicácia do olhar humano.
*Sob supervisão de Éric Moreira