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Artemis II: astronautas superam recorde e observam a Lua de perto

Astronautas da Artemis II observaram a Lua a 6.550 km, do tamanho de uma "bola de basquete", e registraram detalhes inéditos durante sobrevoo histórico pela face oculta

Registro da Lua feito pelos astronautas da missão Artemis II / Crédito: Divulgação/NASA

A missão Artemis II alcançou um marco histórico ao levar astronautas a uma das maiores distâncias já registradas na exploração espacial e proporcionar uma visão inédita da Lua. Durante o sobrevoo realizado na última segunda-feira, 6, a tripulação descreveu o satélite natural da Terra com uma perspectiva incomum: “do tamanho de uma bola de basquete segurada à distância de um braço estendido”.

A bordo da cápsula Orion, os astronautas passaram a cerca de 6.550 quilômetros da superfície lunar, atingindo o ponto de maior aproximação da missão. Pouco depois, a nave estabeleceu outro recorde ao alcançar 406,6 mil quilômetros de distância da Terra, superando a marca da missão Apollo 13.

O sobrevoo teve duração superior a seis horas e incluiu observações detalhadas de regiões da Lua jamais vistas diretamente por seres humanos. A tripulação — formada por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen — percorreu a chamada face oculta do satélite, que não é visível da Terra.

“A Lua que estamos vendo não é a Lua que você vê da Terra”, afirmou Koch durante a missão. Ao atravessar essa região, a comunicação com o controle em Houston foi interrompida por cerca de 40 minutos, período em que a nave permaneceu sem contato direto com a Terra.

Entre os destaques da observação está o registro da Bacia Orientale, uma cratera com aproximadamente 965 quilômetros de diâmetro localizada na zona de transição entre as faces visível e oculta da Lua. Até então, essa estrutura havia sido observada apenas por sondas não tripuladas.

A trajetória adotada pela Artemis II difere significativamente das missões do programa Apollo. Enquanto as espaçonaves da época orbitavam a Lua a cerca de 110 quilômetros de altitude, a Orion seguiu um percurso mais distante, contornando o satélite em um arco antes de retornar à Terra. Esse tipo de rota, conhecido como trajetória de retorno livre, permite que a nave utilize a gravidade lunar para completar o percurso sem necessidade de propulsão adicional.

Apesar da maior distância, os astronautas conseguiram realizar observações relevantes. “Mesmo a 6.000 km de distância, ainda há coisas que o olho humano consegue captar com uma granularidade importante para a comunidade científica”, explicou o diretor de voo Judd Frieling.

Durante o sobrevoo, a equipe utilizou diferentes equipamentos para registrar imagens de bacias de impacto e formações geológicas, como antigas correntes de lava. Além disso, os astronautas descreveram em tempo real variações de cor e textura da superfície lunar para cientistas em solo — informações consideradas valiosas e difíceis de obter apenas com instrumentos automatizados.

“O olho humano é, basicamente, a melhor câmera que já existiu ou existirá”, afirmou Kelsey Young, cientista-chefe da missão Artemis II. “O número de receptores no olho humano supera em muito o que uma câmera é capaz de fazer.”

Próximos passos da missão

Após o sobrevoo, a missão segue em curso com uma série de etapas programadas. Nos dias seguintes, a cápsula deve deixar a esfera de influência gravitacional da Lua, realizar ajustes de trajetória e conduzir experimentos a bordo. Também estão previstos testes de pilotagem manual e simulações de proteção contra radiação solar.

Na fase final, a tripulação revisará os procedimentos de reentrada na atmosfera terrestre, incluindo o uso de roupas de compressão para minimizar os efeitos da gravidade após dias no espaço. O retorno está previsto para o dia 10 de abril, quando a cápsula realizará a reentrada com escudo térmico submetido a temperaturas de até 1.650°C antes da amerissagem no Oceano Pacífico, repercute o g1.

A missão representa um passo importante no programa Artemis, que busca ampliar a presença humana no espaço e preparar futuras viagens mais complexas, tendo a Lua como etapa fundamental desse processo.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.