Análise de DNA revela que xamã da Idade do Bronze era na verdade uma mulher
Análise de DNA de esqueleto de 4.000 anos encontrado perto de Stonehenge revelou que xamã que acreditava-se ser do sexo masculino era uma mulher

Quando se estuda como o presente altera a história, um dos maiores exemplos que há são casos de erro de sexo de indivíduos históricos. Geralmente em posições importantes de suas respectivas sociedades, muitas mulheres já foram consideradas homens por arqueólogos sem provas.
De nobres vikings da Suécia a líderes sociais da Espanha da Idade do Bronze, o erro de gênero é um problema na arqueologia, visto que muitas vezes não há ossadas completas e sugestões precipitadas podem se consolidar.
Assim foi com uma xamã e metalúrgica mulher da Idade do Bronze. Sua ossada foi encontrada há mais de 200 anos em um luxuoso enterro perto do Stonehenge, Inglaterra. Conhecida como Shaman Upton Lovell, a análise de DNA reescreveu parte da história local. David Dawson‚ diretor do Museu de Wiltshire, onde os artefatos estão expostos, disse:
Estamos tão acostumados com a suposição [de que] os homens fazem tudo, os homens são os líderes, os homens são os metalúrgicos. Aqui temos provas de armas fumegantes de uma metalúrgica. E a metalurgia era a ciência espacial de sua época.”
O xamã da Idade do Bronze
O enterro de quase 4.000 anos foi desenterrado em 1801 perto da vila de Upton Lovell, a 16km do Stonehenge. Os ossos foram localizados com um kit de ferramentas metalúrgicas extremamente avançadas.
Inclusive, foram encontrados machados de pedra, ferramentas com traços de ouro, uma pedra de toque para testar a pureza do metal, comparando estrias deixadas por diferentes metais e ossos de animais perfurados, que provavelmente foram uma vez costurados em uma peça de roupa como decorações, insinuando um manto cerimonial.
Devido à sociedade do século 19, ao encontrar um indivíduo de alto status social e relacionado à metalurgia, os arqueólogos interpretaram a ossada como pertencente a um homem.
Nesse sentido, para tentar justificar ainda mais a especulação, William Cunnington, o arqueólogo inglês que escavou o monte funerário, disse que “pela grandeza dos ossos”, o enterrado “parecia ser um homem robusto”.
A revelação
Dessa forma, se acreditou que era um homem por séculos, no museu em que estava exposta, a xamã era representada como um homem barbado. No entanto, toda essa história foi desmentida por uma análise de DNA.
À princípio, os pesquisadores queriam rastrear a ancestralidade do indivíduo, mas ao analisar os genes perceberam que ao invés de XY, os cromossomos sexuais eram XX. Não obstante, tentando tirar prova, coletaram mais fragmentos das ossadas de outra região do corpo e o resultado foi o mesmo.
Embora a xamã da Idade do Bronze fosse grande para um humano da época com seus 1,65 metros, o seus ossos não mudaram seu gênero. De qualquer forma, o museu destacou que trabalhará na renovação da exposição com Shaman Upton Lovell. Lisa Brown‚ curadora do Museu de Wiltshire, disse à Live Science:
Temos agora uma compreensão totalmente nova desse enterro, reescrevendo sua história, quebrando estereótipos e colocando as mulheres na frente e no centro de nossa compreensão da sociedade do início da Idade do Bronze”.
*Sob supervisão de Giovanna Gomes