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Maior acelerador de partículas do mundo encerra atividades até o ano de 2030

O Grande Colisor de Hádrons passará por obras para se transformar em uma versão de alta luminosidade, permitindo descobertas sobre matéria escura e a origem do Universo

Parte das 1.232 bobinas dipolares do Grande Colisor de Hádrons (LHC), responsáveis por direcionar os prótons acelerados. O acelerador ficará fechado até 2030 para obras de modernização. Foto: CERN.

O Grande Colisor de Hádrons (LHC), considerado o maior acelerador de partículas do planeta, iniciou nesta semana um período prolongado de manutenção e modernização que deve se estender pelos próximos quatro anos. Instalado em um túnel circular de 27 quilômetros na fronteira entre a França e a Suíça, o instrumento operado pelo CERN (Centro Europeu para Pesquisas Nucleares) só voltará a funcionar plenamente em 2030. A interrupção é necessária para transformar o equipamento em uma versão muito mais poderosa, capaz de revelar fenômenos ainda ocultos da física moderna.

Engenharia em grande escala

A paralisia faz parte da Terceira Parada Longa, a intervenção mais profunda no complexo desde o início de sua construção em 1998. O projeto prevê a substituição de 1,2 quilômetro de ímãs supercondutores e componentes essenciais que impulsionam partículas a velocidades próximas à da luz. 

Segundo o responsável pela coordenação da parada, Jean-Philippe Tock, a remoção e substituição desses equipamentos representam um empreendimento logístico enorme e complexo. Conforme o CERN, as obras darão origem ao HiLumi LHC, uma versão de alta luminosidade focada em aumentar drasticamente a taxa de colisões.

Engenheiros trabalham na modernização do Grande Colisor de Hádrons (LHC), que será transformado no Grande Colisor de Hádrons de Alta Luminosidade para aumentar o número de colisões de partículas. Foto: CERN.

Busca por respostas raras

Atualmente, o acelerador registra 60 colisões a cada cruzamento de feixes de prótons, mas a nova versão deve alcançar até 200 interações no mesmo intervalo. Esse salto tecnológico permitirá que cientistas observem fenômenos extremamente raros que hoje passam despercebidos, como a natureza da matéria escura, substância que representa grande parte do Universo, mas que nunca foi detectada diretamente. 

“Queremos procurar novas partículas”, resumiu Filip Moortgat, coordenador de operações do detector CMS, em entrevista exclusiva à AFP. A expectativa é que os novos dados ajudem a explicar lacunas no Modelo Padrão da física, que ainda não consegue descrever toda a composição do cosmos.

Tecnologia e inteligência artificial

Com bilhões de interações por segundo, o volume de informações gerado pela nova versão do acelerador será imenso. Para gerenciar esses dados, novos sistemas automatizados apoiados por inteligência artificial atuarão em tempo real selecionando as colisões com maior potencial científico. 

No entanto, a pesquisadora Nedaa-Alexandra Asbah reforça que a tecnologia é apenas uma ferramenta auxiliar. “A IA não substitui os físicos”, afirmou Nedaa-Alexandra à AFP, destacando que a decisão final continuará dependendo do olhar dos especialistas.

Legado e futuro científico

Desde 2008, o LHC acumulou feitos históricos, como a confirmação do bóson de Higgs em 2012, partícula que explica como a matéria adquire massa. Mesmo desligado para reformas, o trabalho científico não para. 

Pesquisadores continuarão analisando o vasto banco de dados coletado nos últimos anos, o que pode render novas descobertas antes mesmo do reinício das colisões. Como observou Oliver Brüning, diretor de Aceleradores e Tecnologia do CERN, o equipamento superou todas as expectativas originais e agora abre espaço para um sucessor que continuará transformando a compreensão humana sobre o espaço e o tempo.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Meu propósito é dar voz a narrativas.