Fifa denuncia explosão de ataques racistas na Copa de 2026
Relatório identifica 89 mil mensagens injuriosas na primeira fase do torneio, volume treze vezes superior ao registrado no Mundial do Catar

A Fifa, entidade máxima do futebol mundial, revelou nesta quarta-feira (1º de julho) dados alarmantes sobre o comportamento de usuários nas redes sociais durante a Copa do Mundo de 2026. Por meio do Serviço de Proteção em Mídias Sociais (SMPS), a organização identificou cerca de 89 mil publicações abusivas apenas durante a fase de grupos da competição. Desse total, 11% das mensagens tinham teor racista. O volume representa um aumento de 13 vezes em relação à mesma etapa da Copa do Mundo de 2022, no Catar, quando foram registradas 6,7 mil postagens ofensivas.
Crescimento do ódio digital
As mensagens de cunho racista foram a categoria mais frequente e grave de injúria nesta edição. Em nota oficial, o serviço de proteção afirmou que “as ofensas racistas estão em crescimento e se tornaram uma ameaça persistente ao bem-estar dos jogadores”. O fenômeno do preconceito digital não se limitou à fase inicial e continuou no início das eliminatórias, atingindo atletas de diversas nacionalidades.
Entre as vítimas identificadas, os jogadores profissionais neerlandeses Crysencio Summerville, Justin Kluivert e Quinten Timber sofreram uma onda de insultos racistas após a eliminação da seleção dos Países Baixos contra o Marrocos. Além deles, antes do confronto entre Brasil e Japão, o atacante brasileiro Vinicius Jr. foi comparado a um macaco em postagens online, enquanto o atacante japonês Kento Shiogai também sofreu ataques discriminatórios após dar declarações sobre o desempenho da equipe brasileira.
Vigilância online e nos estádios
Para combater os casos de discriminação, o Serviço de Proteção em Mídias Sociais (SMPS) combina ferramentas automatizadas com moderação humana para identificar e bloquear mensagens abusivas. Até o momento, cerca de 181 mil comentários de ódio foram ocultados das contas oficiais das seleções. Segundo a Fifa, mais de 100 casos já atenderam aos critérios legais para a abertura de processos judiciais, e aproximadamente mil contas foram encaminhadas às autoridades para investigação.
A proteção também foi reforçada nos estádios com a atuação dos Gestores de Salvaguarda e Antidiscriminação (SAMs), presentes nas 16 sedes da Copa do Mundo de 2026. De acordo com a Fifa, esses profissionais monitoram casos de discriminação e prestam apoio imediato às vítimas. A chefe de salvaguarda e proteção infantil da entidade, Marie-laure Lemineur, afirmou que a função passou a ser obrigatória nos principais eventos da federação desde março de 2026.
Na prática, os gestores monitoram as arquibancadas e inspecionam bandeiras, faixas e outros materiais na entrada dos estádios. Segundo Rodrigo Quintanilla, gestor do Estádio de Monterrey, no México, a prioridade é “garantir que a vítima esteja em um lugar seguro e tenha nosso suporte”, afirmou no relatório oficial da Fifa.
Punições e processos
O sistema de proteção da Fifa já resultou na ocultação automática de 181 mil mensagens de ódio e na abertura de investigações exaustivas sobre aproximadamente mil usuários. A entidade informou que está reunindo provas para auxiliar as autoridades policiais e que mais de 100 casos já atingiram os critérios legais para a preparação de processos judiciais contra os autores das ofensas. O monitoramento seguirá rigoroso durante as fases finais para tentar conter o avanço das práticas criminosas no ambiente digital e físico.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes