Pangolin ‘aurita’ é redescoberto por brasileiro após 150 anos
Especialista brasileiro utiliza espécime de 200 anos para identificar presença de pangolin “aurita”; esses são os animais mais traficados do mundo

Uma antiga tradição local diz que as escamas dos pangolins são afrodisíacas. Essa lenda, sem comprovação, foi responsável pelo tráfico em massa desses animais, levando-os à ameaça de extinção.
No entanto, com a diminuição frequente dos animais, uma espécie não reconhecida de pangolin asiático, a Manis aurita, foi identificada pela primeira vez depois de décadas por um pesquisador brasileiro. A descoberta pode ajudar na preservação dos animais e foi publicada hoje na revista Communications Biology.
Conforme o comunicado deixado pelo pesquisador brasileiro, Anderson Feijó, mamologista no Museu Field, em Chicago, formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPA), sobre a preservação dos pangolins disse:
Não podemos proteger o que não sabemos, e agora que confirmamos que essa outra espécie de pangolim existe, podemos usar essa informação para ajudar a proteger esses animais em extinção,”.

Os pangolins ‘aurita’
Acontece que ano passado, um grupo de cientistas lançou uma nota dizendo que os pangolins chineses (Manis pentadactyla) não eram todos iguais. Ou seja, o que há muito tempo era considerado uma única espécie, na verdade eram duas, uma que vive majoritariamente na China e outra que é encontrada nas proximidades do Himalaia, em partes do Nepal, Índia, Butão e Mianmar.
Conforme a Popular Science, essa diferenciação recente gerou duas nomenclaturas, o Manis indoburmanica, ou o pangolim indo-birmanês. Contudo, para Feijó e sua equipe, que já estavam traçando a árvore genealógica dos pangolins há uma década, as novas classificações eram muito parecidas com a descrição feita em 1836 do Manis aurita.
Embora essa classificação tivesse substância, ao passar do tempo o aurita foi rebaixado para sub espécie do pangolim chinês. Por isso, os pesquisadores foram atras de um exemplar de aurita para comparar com o indoburmanica e entender se são mesmo espécies diferentes.
A identificação e a redescoberta
Para tal, entraram em contato com museus e arquivos que tinham pangolins aurita taxidermizados e guardados. Assim, ao analisar o DNA dos dois espécimes, foi possível identificar que o M. indoburmanica deveria ser chamado na verdade M. aurita.
De acordo com a equipe, as diferenças entre o pangolim do Himalaia M.aurita (aquela que foi brevemente conhecida como M. indoburmanica) e o pangolim chinês são sutis, mas dignos de nota. Comparado com o pangolim chinês, o pangolim do Himalaia tem um corpo maior, uma cauda mais longa e orelhas distintamente menores. Feijó, o brasileiro, complementa:
O nome da espécie recém-ressuscitada, aurita, até se refere às suas orelhas distintas,”.
Porém, sobre a preservação, os pesquisadores anunciaram:
Nos marketplaces você basicamente só encontra escamas de pangolim, não os animais inteiros, o que torna difícil saber quais espécies estão sendo caçadas e de onde elas estão vindo,”.
Desse modo, as novas análises de DNA podem ajudar os cientistas a identificar com precisão as espécies de pangolins que estão sendo caçadas. Nesse sentido, o próximo passo na preservação desses animais é a localização de seus habitats e proteção dos caçadores ilegais.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes