Pesquisadores brasileiros descobrem duas espécies novas de escorpião na Amazônia
Expedição científica feita em Roraima trouxe à tona duas espécies novas de escorpião nunca antes catalogadas; confira!

Próximo a uma cachoeira frequentada por banhistas, em Roraima, um expedição científica liderada pela professora Manuela Berto Pucca, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp, encontrou duas espécies novas de escorpião.
Batizados de Brotheas cernii e Cayooca puchus, os aracnídeos estavam próximos à Cachoeira do Evandro a cerca de 60km da capital Boa Vista. Dentre as alterações dos escorpiões já conhecidos está a alteração na coloração, tamanho do corpo, granulação das pinças entre outros.
Diante de uma extensa pesquisa, os estudiosos descobriram que as duas espécies nunca haviam sido catalogadas antes. Assim, o artigo, publicado na Diversity, expande os horizontes do nosso conhecimento sobre a biodiversidade amazônica e apresenta um potencial fármaco para o Brasil.
As duas espécies novas de escorpião
Em descobertas taxonômicas se mantém o costume do cientista/catalogador escolher o nome da espécie. Nesse sentido, o nome Brotheas cernii foi escolhido pela professora Pucca como homenagem ao marido Felipe Augusto Cerni, pesquisador e professor da UFRR, e à filha, que carrega o sobrenome também.
Entretanto, o Cayooca puchus, veio através de uma referência menos familiar. O termo “puchus” advém de “pucheros”, expressão espanhola para descrever uma expressão facial de surpresa e/ou espanto. Isso porque essa foi a expressão do pesquisador André Lira, primeiro autor do artigo, ao perceber que estava diante de uma espécie inédita.
Contudo, a pesquisa carrega um peso muito maior que o tom de homenagem dos nomes. Conforme o Jornal da Unesp, a pesquisa de Pucca traz à tona como a região da Amazônia é pouco explorada cientificamente. E que, ao mesmo tempo, é muito explorada pela agropecuária, processo que acaba com o habitat dos animais. Pucca destaca:
Se encontramos duas espécies inéditas em uma única região que investigamos, quantas outras ainda existem na região e não conhecemos?”
Inclusive, vale destacar que o gênero Cayooca, ao qual o Cayooca puchus pertence, é considerado raro em todo o mundo. Há pouquíssimos representantes conhecidos pela ciência.
O ambiente e o potencial
As duas espécies foram encontradas em uma região conhecida como “inselberg”, formações rochosas isoladas que crescem em meio a natureza e funcionam como “ilhas ecológicas” em meio à floresta. Dessa forma, o relativo isolamento da região se torna propício para o desenvolvimento de espécies adaptadas ao terreno específico.
Ou seja, devido a separação relativa do ambiente, com o passar do tempo, há o surgimento de espécies exclusivas, adaptadas às condições ambientais muito específicas. Conforme Pucca, os novos escorpiões são extremamente sensíveis às condições ambientais, ao ponto de que, mesmo com adaptações de clima, umidade e ambiente em laboratório, muitos não conseguem sobreviver mais que alguns dias fora da região natalícia.
De todo modo, a pesquisadora destacou que a descoberta advém de um trabalho de quase 10 anos. Em 2016, Pucca ainda era vinculada à Universidade Federal de Roraima (UFRR) e já esteve na região diversas vezes. Mas somente neste ano que conseguiu provar que as espécies eram completamente novas.
Desse modo, com o crivo do professor André Lira, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE), e posteriormente a validação por outros dois especialistas: Antônio D. Brescovit, do Instituto Butantan, em São Paulo, e Edmundo González-Santillán, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), concluiu-se, era uma espécie nova. Sobre a demora do processo, Pucca afirma:
A descrição de novos exemplares exige um conjunto robusto de evidências e a validação por diferentes pesquisadores. É um trabalho minucioso que envolve análises morfológicas detalhadas”.
De qualquer forma, a equipe da pesquisadora já está empenhada em descobrir quais são as exclusividades das espéciee. De tal maneira que possam aproveitar da peçonha do animal para o mercado fármaco no futuro. Atualmente, a pesquisadora pensa em explorar outras espécies de aracnídeos da região.
*Sob supervisão de Éric Moreira