Circo mais antigo do mundo restaura afrescos imperiais em Paris
O projeto inclui o restauro de vinte afrescos históricos do Segundo Império, além da renovação de assentos, vitrais e da tela policromada do teto

O Cirque d’Hiver, reconhecido como o circo em atividade mais antigo do mundo, deu início nesta semana a um ambicioso programa de restauração de seus espaços internos. O objetivo da intervenção é devolver ao monumento, inaugurado em 1852 pelo Imperador Napoleão III, a glória estética do século 19, enquanto moderniza as instalações para o conforto do público contemporâneo. A reforma é capitaneada pela família Bouglione, que administra e é proprietária do local desde 1934, e conta com o suporte técnico de órgãos culturais franceses.
Tesouros imperiais no circo
Uma das partes mais aguardadas do projeto é a recuperação de vinte afrescos ornamentais datados do Segundo Império. Estas obras, assinadas pelos pintores Barrias e Gosse, retratam a história da relação entre humanos e cavalos e foram cobertas por painéis de madeira na década de 1950.
Conforme informações publicadas pela Euronews, o trabalho de restauro destas telas deve durar entre doze e dezoito meses. O arquiteto e engenheiro responsável pela obra, Stéphane Millet, explicou que as telas apresentam distorções causadas pela umidade ao longo das décadas, mas que são plenamente recuperáveis. “A restauração deverá trazer de volta uma imagem quase 100% fiel”, afirmou Stéphane Millet ao detalhar o processo de limpeza e proteção das obras.
Modernização para o público
Além do resgate artístico, a reforma foca na experiência dos visitantes. O plano prevê a substituição total dos assentos, começando pelo andar térreo já no verão de 2026, com o intuito de oferecer maior espaço para as pernas e melhor ventilação.
A acessibilidade também é uma prioridade, com a criação de locais específicos para pessoas com mobilidade reduzida. Segundo o site oficial do Cirque d’Hiver Bouglione, estas mudanças respondem a pedidos antigos do público sem descaracterizar a geometria única da sala projetada pelo arquiteto original, Jacques Ignace Hittorff.
Legado artístico preservado
O cronograma da obra é extenso e deve durar até 2029 para evitar interrupções nos espetáculos de inverno. Entre as etapas finais estão a reinstalação de vitrais e a restauração da tela policromada que cobre o teto, conhecida como vélarium. Para Louis-Sampion Bouglione, codiretor e historiador do circo, o projeto é a realização de um sonho familiar.
“É maravilhoso vê-los e é uma parte importante da nossa história”, comentou Louis sobre o redescobrimento das pinturas originais, que até então eram lembradas apenas por relatos de gerações passadas. O custo total da obra, estimado em milhões de euros, reafirma o compromisso com a preservação deste ícone da cultura parisiense, que é monumento histórico desde 1975.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes