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Universo segue acelerando expansão, aponta estudo

Nova análise de supernovas do tipo Ia contesta estudo anterior e reforça que o Universo segue se expandindo em ritmo acelerado

Nebulosa da Pata de Gato, uma região de formação estelar composta de gás, poeira e estrelas jovens, em imagem obtida pelo Telescópio Espacial James Webb - Nasa, ESA, CSA, STScI/via Reuters

A expansão acelerada do Universo continua ocorrendo, segundo um novo estudo publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. A pesquisa analisou dados de supernovas do tipo Ia e concluiu que não há evidências que sustentem a hipótese apresentada por outro trabalho divulgado no ano passado, que sugeria um enfraquecimento da energia escura responsável por impulsionar a expansão cósmica.

O trabalho foi liderado por pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, e contou com a participação de dois vencedores do Prêmio Nobel. Entre os autores está o astrofísico Brodie Popovic, que afirmou que os resultados reforçam a visão tradicional da cosmologia moderna.

“O Universo ainda está acelerando”, declarou o pesquisador. Segundo ele, embora ainda existam muitas perguntas sem resposta sobre a estrutura e a evolução do cosmos, os cientistas acreditam estar no caminho correto para compreender melhor esses fenômenos.

Supernovas funcionam como marcos cósmicos

Para chegar às conclusões, os pesquisadores utilizaram dois conjuntos independentes de dados envolvendo supernovas do tipo Ia. Essas explosões estelares ocorrem quando uma anã branca, remanescente de uma estrela de baixa ou média massa, é destruída.

Como essas explosões apresentam luminosidade semelhante entre si, elas são consideradas ferramentas fundamentais para medir distâncias no Universo. A intensidade do brilho observada da Terra varia de acordo com a distância percorrida pela luz, permitindo que os cientistas reconstruam a história da expansão cósmica.

Além disso, como a luz leva tempo para viajar pelo espaço, observar objetos muito distantes equivale a olhar para diferentes momentos do passado do Universo.

Debate sobre a energia escura

Esta pequena sessão do mapa mostra galáxias e quasares acima e abaixo do plano da Via Láctea. O círculo ampliado mostra a estrutura em grande escala do universo. A Terra está no centro dos ângulos, e o espaço preto mostra onde nossa galáxia oculta objetos distantes. – Claire Lamman/Desi

Desde o Big Bang, ocorrido há cerca de 13,8 bilhões de anos, o Universo está em expansão. Em 1998, cientistas anunciaram uma descoberta que transformou a cosmologia: essa expansão não apenas continuava acontecendo, como também estava acelerando.

Para explicar esse comportamento, foi proposta a existência da chamada energia escura, uma força ainda desconhecida que representaria aproximadamente 68% de todo o conteúdo do Universo. A matéria escura corresponderia a cerca de 27%, enquanto a matéria comum — formada por estrelas, planetas, gases e poeira — representaria apenas 5%.

No entanto, um estudo publicado em 2025 também na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society sugeriu que a energia escura estaria enfraquecendo e que a aceleração da expansão poderia ter chegado ao fim.

Nova análise contesta pesquisa anterior

O novo estudo revisitou essa questão utilizando grandes amostras de supernovas calibradas. Segundo os autores, não foram encontradas evidências de um suposto “efeito da idade” das estrelas, apontado pela pesquisa anterior como um fator capaz de alterar as medições das distâncias cósmicas.

O astrofísico Adam Riess, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e vencedor do Nobel de Física de 2011 pela codescoberta da expansão acelerada do Universo, participou do novo trabalho e afirmou que os dados analisados não sustentam a hipótese proposta pelo grupo da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul.

Por outro lado, Young-Wook Lee, um dos líderes do estudo de 2025, defendeu as conclusões de sua equipe e argumentou que a nova análise apresenta problemas metodológicos e conclusões inconsistentes.

Mistério continua sem solução

Apesar da divergência entre os grupos, uma questão permanece em aberto: a verdadeira natureza da energia escura.

Os pesquisadores esperam que futuras observações realizadas pelo recém-inaugurado Observatório Vera Rubin, no Chile, e pelo Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, cujo lançamento está previsto para agosto, forneçam novas pistas sobre esse dos maiores mistérios da cosmologia moderna.

Enquanto isso, o novo estudo reforça a interpretação predominante entre os cientistas de que o Universo continua se expandindo em ritmo acelerado.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes