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Baleia jubarte faz viagem de quase 7 mil km e surpreende pesquisadores

Baleia Luban percorreu milhares de quilômetros de Omã à costa sudoeste da Índia, surpreendendo pesquisadores

Pesquisadores estudaram o deslocamento de um grupo de baleias-jubartes que vive na costa de Omã- Crédito: D. MacDonald/Sociedade Ambiental de Omã

Embora as baleias jubarte sejam conhecidas por atravessar oceanos inteiros em busca de alimento e de parceiros para acasalamento, há um grupo dessa espécie que não costuma realizar migrações sazonais. Estamos falando de cerca de 80 animais que habitam o Mar Arábico, ao longo da costa de Omã.

Uma equipe internacional de pesquisadores decidiu investigar os deslocamentos dessas baleias ao longo dos anos e constatou que elas permanecem, em sua maioria, nas águas que cercam a Península Arábica. Contudo, houve uma exceção: uma fêmea chamada Luban, que percorreu aproximadamente 7 mil quilômetros e acabou sendo avistada na costa sudoeste da Índia.

Como destaca uma matéria do portal Galileu, até então, o conhecimento sobre os movimentos dessa população isolada de baleias jubarte era baseado principalmente na comparação de fotografias das barbatanas dorsais e das nadadeiras caudais armazenadas em catálogos, e mesmo em observações realizadas por pequenas embarcações na costa de Omã.

Eram necessárias informações mais precisas. Para isso, os pesquisadores instalaram 14 transmissores capazes de monitorar via satélite os mergulhos e deslocamentos dos animais. Os equipamentos forneceram cerca de 53 dias de dados de rastreamento. Conforme estudo publicado no último dia 18 na revista científica Frontiers in Marine Science, as marcações ocorreram em duas regiões distintas: a saber, a Baía de Hallaniyat, no sul de Omã, e o Golfo de Masirah, mais ao norte.

De acordo com Andrew Willson, principal autor do estudo, o uso dos transmissores permitiu acompanhar os animais praticamente em tempo real e compreender melhor os hábitos de uma população que se separou geneticamente de outras baleias jubarte há cerca de 70 mil anos.

Os dados mostraram que cinco das baleias marcadas no Golfo de Masirah permaneceram na região durante todo o período de monitoramento, enquanto duas seguiram para a Baía de Hallaniyat. Já os seis indivíduos marcados na baía se deslocaram entre Hallaniyat, o Golfo de Masirah e o norte do Iêmen. Dessa forma, os pesquisadores concluíram que as áreas mais importantes para a sobrevivência do grupo se concentram entre esses locais, separados por menos de 400 quilômetros.

O caso de Luban

O caso mais surpreendente, porém, foi o de Luban. A fonte explica que, diferentemente das demais baleias monitoradas, Luban seguiu para leste através do Mar Arábico e foi detectada próximo à costa do estado de Goa, no oeste da Índia. Somando a ida e a volta, a fêmea percorreu cerca de 7 mil quilômetros. Esta é a primeira evidência direta de uma jubarte asiática cruzando o Mar Arábico em uma viagem de longa distância.

“Embora o canto das baleias jubarte já tenha sido associado às costas de Omã e da Índia, a jornada de Luban fornece a primeira evidência direta de uma baleia jubarte atravessando o Mar Arábico”, destaca o comunicado divulgado pelos pesquisadores. A equipe sugere que a longa viagem pode estar relacionada à elevada produtividade biológica das águas da região indiana, que oferecem abundância de alimento. Posteriormente, Luban foi novamente avistada no Golfo de Masirah.

“As comunidades pesqueiras costeiras de Omã reverenciam e respeitam essas baleias há muitas gerações. Para as sociedades em rápida modernização desta região, o estudo dá maior visibilidade a essas baleias. Isso é fundamental para apoiar sua conservação”, afirmou a pesquisadora Aida Al Jabri, que participou do trabalho.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.