Matérias / Família Real Britânica

65 anos de Lady Di: as origens da Princesa de Gales

Antes de entrar para a realeza ao se casar com o príncipe Charles, Lady Di já fazia parte de uma influente linhagem aristocrática

Diana Lady Di
A princesa Diana - Getty Images

Quando o casamento entre Lady Di (à época Diana Spencer) e o então príncipe Charles foi anunciado, em 1981, boa parte do mundo enxergou a jovem de 19 anos como uma espécie de “Cinderela moderna”. A narrativa de uma professora de jardim de infância que conquistou o herdeiro do trono britânico ajudou a construir sua imagem pública. A realidade, porém, era bastante diferente. Diana nasceu cercada pela aristocracia inglesa e possuía vínculos com a monarquia muito antes de se tornar princesa.

Lady Di casamento
Princesa Diana com seu vestido de noiva durante o casamento – Getty Images

Diana Frances Spencer nasceu em 1º de julho de 1961, em Park House, propriedade localizada na residência real de Sandringham, no condado de Norfolk. Seu pai era Edward John Spencer, então Visconde Althorp e posteriormente 8º Conde Spencer. Sua mãe, Frances Ruth Burke Roche, também pertencia à nobreza britânica, descendente da tradicional família Roche. A proximidade entre as duas famílias era tamanha que a então rainha Elizabeth II esteve presente no casamento dos pais de Diana.

A família de Lady Di

Os Spencer figuram entre as famílias aristocráticas mais antigas da Inglaterra. Embora hoje sejam lembrados principalmente pela ligação com Diana, sua ascensão começou ainda no século XV. Os primeiros membros da família enriqueceram como grandes criadores de ovelhas e proprietários rurais, acumulando fortuna graças à agricultura, antes de conquistarem títulos de nobreza. Em 1603, a família consolidou sua posição na aristocracia inglesa e, ao longo dos séculos seguintes, recebeu diversos títulos, incluindo o de Conde Spencer.

Durante muito tempo, os Spencer sustentaram a narrativa de que descendiam diretamente da poderosa família medieval Despenser, uma das mais influentes da Inglaterra durante a Idade Média. No entanto, pesquisas genealógicas realizadas pelo historiador J. Horace Round demonstraram que essa ligação provavelmente foi forjada séculos depois para conferir ainda mais prestígio à família. Mesmo sem essa ancestralidade, os Spencer já possuíam uma trajetória suficientemente sólida para ocupar lugar entre as principais casas nobres britânicas.

A relação da família com a Coroa britânica era anterior ao nascimento de Diana. Seu pai havia servido como escudeiro do rei George VI e era afilhado da rainha Mary, avó de Elizabeth II. Além disso, sua avó paterna, Cynthia Spencer, e sua avó materna, Ruth Roche, exerceram funções como damas de companhia da Rainha Mãe, estabelecendo uma convivência constante entre os Spencer e a família real.

O conde Spencer, pai de Diana, e a esposa Raine – Getty Images

Genealogicamente, Diana também possuía sangue real. Ela descendia do rei Charles II por meio de dois de seus filhos ilegítimos, os duques de Richmond e de Grafton, além de manter parentesco distante com outras dinastias britânicas, como os Tudor e os Stuart. Curiosamente, diversos estudiosos da genealogia apontam que Diana possuía uma ancestralidade aristocrática mais extensa que a do próprio Charles, seu futuro marido.

As conexões familiares dos Spencer vão além da monarquia. O sobrenome também aparece na árvore genealógica de figuras históricas como o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill — cujo nome completo era Winston Leonard Spencer Churchill —, além de parentescos distantes com políticos americanos e integrantes de outras importantes famílias nobres da Europa.

A juventude de Diana

Apesar do prestígio social, a infância de Diana esteve longe de ser tranquila. Seus pais protagonizaram uma separação marcada por disputas judiciais pela guarda dos filhos, episódio que afetou profundamente a futura princesa. A família vivia inicialmente em Park House, mas mudou-se para Althorp House em 1975, quando seu pai herdou o título de Conde Spencer. A propriedade, com cerca de 14 mil acres, permanece como sede da família até hoje e tornou-se também o local onde Diana foi sepultada, em 1997.

Na juventude, Diana estudou em internatos tradicionais da Inglaterra e concluiu parte da formação na Suíça antes de retornar a Londres, onde trabalhou como babá, auxiliar de professora e professora de educação infantil. Essa fase contribuiu para reforçar sua imagem de jovem simples, embora sua origem permanecesse profundamente aristocrática.

Lady Di infância
Registros de Lady Di na infância e adolescência – Getty Images

Seu encontro com Charles não representou apenas a união entre um príncipe e uma jovem comum, mas a aproximação de duas famílias cujas histórias já se cruzavam havia gerações. A intimidade entre os Spencer e a Casa de Windsor fazia com que Diana frequentasse ambientes ligados à realeza desde a infância, reduzindo o choque de sua entrada na família real, ainda que a adaptação à vida pública tenha se mostrado muito mais complexa.

Décadas após sua morte, Diana continua sendo lembrada principalmente por seu trabalho humanitário e por sua capacidade de aproximar a monarquia do público. Entretanto, compreender suas origens revela um aspecto frequentemente esquecido: antes de se tornar a “Princesa do Povo”, Lady Diana Spencer já era fruto de uma das linhagens aristocráticas mais tradicionais da história britânica, cuja influência atravessou séculos e permanece presente até hoje.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.