Notícias / Mundo

Pesquisa diz que ao menos 3,3 milhões de pessoas foram escravizadas pelos holandeses

Formas mais amplas de olhar os dados indica que o número de escravizados pelos holandeses é 5 vezes maior que o esperado

Imagem de discurso oficial na frente ao O Monumento Nacional à Escravidão em Amsterdã, homenagem às pessoas escravizadas pelos holandeses
Imagem de discurso oficial na frente ao O Monumento Nacional à Escravidão em Amsterdã, homenagem às pessoas escravizadas pelos holandeses - Créditos: Getty Images

Por muito tempo, políticos, reis e demais figuras holandesas de autoridade falavam em 600 mil pessoas escravizadas no Império holandês. Contudo, uma nova pesquisa que pretende compreender melhor a situação diz que o valor real é 5 vezes maior.

De acordo com o livro do jornalista investigativo holandês Leendert van der Valk, esse número amplamente aceito é uma subestimação grosseira de quantas vítimas fez a escravização holandesa. Na verdade, para o autor, o número correto é entre 3,3 e 5,3 milhões de pessoas.

Surpreendentemente, o dado anterior não consideravam todos os lugares e período de tempo que os holandeses escravizaram. Conforme o autor, não foram considerados sequer os indígenas e os nascidos escravos.

Os escravizados pelos holandeses

Para Peggy Brandon, líder cultural nascida no Suriname e curadora do Museu Nacional da Holanda sobre escravidão, a mudança dos números é importaten pois:

O que me chateia é que nunca falamos sobre as pessoas que viveram geração após geração dentro desse sistema de escravização, […] Não falamos sobre as pessoas que às vezes matavam seus filhos pequenos porque não queriam que eles crescessem em escravização.”

De todo modo, a pesquisa de Van der Valk usa cálculos e pesquisas demográficas principalmente da Radboud University. Esses números foram retirados de pesquisas em curso. Inclusive, a perspectiva é que sejam considerados dentro do cálculo o comércio de escravos na Ásia.

Os novos números… Mudam legitimamente a questão de seu foco restrito no número de pessoas escravizadas deslocadas diretamente pelo comércio de escravos de longa distância para a inclusão daquelas escravizadas que nasceram na escravidão ou escravizadas de outras maneiras em contextos regionais, como por meio da escravização de comunidades indígenas,”.

Assim, considerando países como África do Sul, Índia, Sri Lanka, Guiana e Tobago, os valores crescem exponencialmente. Conforme o The Guardian, essas possessões coloniais posteriormente passarão para os ingleses, mas o estudo deixa de considerar a contagem daí em diante.

No mesmo sentido, uma outra alteração fundamental é a mudança das datas de início e fim da escravidão nas terras holandesas. Uma vez que a escravidão de fato começou em 1595, a data utilizado por outros estudos é 1630, mas nessa data apenas ocorreu a regulamentação do processo.

Não obstante, muitos estudos classificam o fim da escravidão nos domínios coloniais em 1863, quando a escravidão foi abolida na Holanda, mas os dados apontam que apenas em 1914 a escravização holandesa terminou em partes da Indonésia.

De todo modo, mesmo que haja uma margem de erro grande, cerca de 200 mil pessoas, o novo estudo pode chegar a um valor mais próximo ao real. Destacou: “Com base neste trabalho, cálculos comparáveis também poderiam ser realizados para o império britânico e outros impérios coloniais. Tais estimativas forneceriam, pela primeira vez, uma imagem mais abrangente do número total de pessoas em todo o mundo que foram vítimas da escravidão colonial.”


*Sob supervisão de Éric Moreira

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: