O déspota panamense passou de informante da CIA a alvo de uma operação militar norte-americana
O general Manuel Antonio Noriega foi ditador do Panamá durante seis anos (entre 1983 e 1989) e durante esse período sua relação com o governo dos Estados Unidos passou por uma mudança drástica.
De valioso aliado da CIA, a agência de inteligência norte-americana, ele terminou seu mandato como inimigo, o que culminou em sua captura em 1990 e prisão em 1992.
Antes disso, a vida de Noriega havia tido uma trajetória predominantemente ascendente: ele viera de uma família pobre, mas reverteu sua situação ao escalar a hierarquia das forças armadas panamenhas. As informações foram repercutidas por uma matéria do G1 publicada em 2011.
O oficial tornou-se também braço direito de Omar Torrijos, que governou o Panamá entre 1968 e 1981, período durante o qual Manuel pôde cumprir a função de chefe da inteligência militar. Após a morte deste, foi enfim capaz de assumir o poder como sucessor natural de Omar.
Foi durante os anos 50 que o general Noriega estabeleceu sua relação com a CIA, vendendo informações a respeito do que ocorria no governo panamenho e ajudando os Estados Unidos a alcançar seus interesses de geopolítica através de seu apoio internacional.
Segundo divulgado por uma matéria de 2017 do El País, Bill Casey, que foi diretor da agência de inteligência por algum tempo, disse “Este é meu garoto” ao se referir ao tirano durante o período de sua prisão.
O grande ponto de virada dessa relação próxima ocorreu devido ao envolvimento do militar com o narcotráfico na América Latina - que foi de onde veio uma parte considerável de sua fortuna, inclusive.
Na reta final de seu mandato, a reputação do tirano não tinha apenas azedado aos olhos de seus antigos aliados norte-americanos, mas também da população do Panamá, uma vez que o país entrou em uma crise econômica e política.
Aqueles que tentaram se opor ao líder foram reprimidos e, nos piores casos, até mesmo assassinados - como Hugo Spadafora.
Eventualmente o presidente George Bush iniciou a operação militar “Justa Causa”, que invadiu o Panamá com o objetivo de capturar o déspota. Noriega se entregou para as tropas norte-americanas em 1990, e em 1992 seu julgamento foi finalizado.
Já em território norte-americano, o ditador foi acusado de tráfico de drogas, extorsão e lavagem de dinheiro, recebendo uma sentença de 40 anos. Apesar de seu poder e influência não terem-no impedido de se tornar um prisioneiro, vale destacar que o panamenho desfrutava de privilégios que não eram compartilhados por outros detentos, como a presença de uma televisão dentro de sua cela.
Sua pena original foi posteriormente reduzida entre suas extradições para outras penitenciárias (ele foi enviado para a França e enfim devolvido ao Panamá), por motivo de bom comportamento, entre outros fatores, porém isso não fez muita diferença na prática: Noriega morreu em 2017, então com 83 anos, antes de ser capaz de cumpri-la. Segundo a reportagem do El País que relembrou sua trajetória, ele faleceu por conta de um tumor no cérebro.