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Trump faz piada sobre Pearl Harbor em encontro oficial com primeira-ministra do Japão

Presidente dos Estados Unidos responde sobre guerra com Irã com referência irônica ao ataque de Pearl Harbor, de 1941, gerando constrangimento em encontro oficial

Sanae Takaichi e Donald Trump durante encontro oficial / Crédito: Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez comentários sobre o Japão e o ataque a Pearl Harbor durante um encontro oficial com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, na Casa Branca. A declaração ocorreu na quinta-feira, 19, em meio a questionamentos sobre o conflito envolvendo o Irã.

Durante a reunião no Salão Oval, Trump foi questionado por um jornalista japonês sobre a decisão de não informar previamente aliados dos Estados Unidos na Europa, Ásia e no próprio Japão antes de ações militares contra o Irã. Em resposta, o presidente afirmou: “Uma coisa que você não quer deixar muito claro, sabe, quando entramos, entramos com tudo e não contamos para ninguém porque queríamos surpresa. Quem entende melhor de surpresa do que o Japão?”

A fala provocou risos iniciais entre os presentes, mas o tom mudou quando Trump continuou: “Por que vocês não me contaram sobre Pearl Harbor?” A reação no ambiente foi de constrangimento, conforme repercute o The Guardian, com a líder japonesa demonstrando surpresa diante da menção ao episódio histórico.

O ataque japonês à base naval de Ataque a Pearl Harbor ocorreu em 7 de dezembro de 1941, no Havaí, e resultou na morte de 2.390 americanos. O episódio levou os Estados Unidos a entrarem na Segunda Guerra Mundial no dia seguinte. À época, o então presidente Franklin D. Roosevelt classificou o acontecimento como “uma data que ficará marcada na infâmia”.

O episódio repercutiu entre apoiadores e críticos do atual presidente. O filho de Trump, Eric Trump, elogiou a resposta em publicação nas redes sociais, afirmando: “Uma das melhores respostas a um repórter na história!” Já o jornalista Mehdi Hasan criticou a fala, escrevendo: “Desculpem, mas isto é genuinamente hilário. Se ao menos ele não fosse o presidente e sim apenas um personagem de televisão. Poderíamos rir à vontade sem qualquer sensação de desconforto, pavor ou constrangimento.”

Tensões no Oriente Médio

A declaração ocorre em um contexto mais amplo de tensões envolvendo os Estados Unidos e o Irã, além de cobranças feitas por Trump a aliados internacionais. Nos últimos dias, o presidente tem criticado publicamente países parceiros, incluindo o Japão, por não atenderem ao seu pedido de apoio na proteção do Estreito de Ormuz, área estratégica para o transporte global de petróleo.

Apesar disso, o próprio Trump afirmou posteriormente que a ajuda externa não seria necessária, embora tenha indicado que espera algum tipo de mobilização internacional, dizendo: “é apropriado que as pessoas se mobilizem”.

Vale mencionar que, para o Japão, o envio de tropas ao exterior é um tema sensível. O país mantém uma postura oficialmente pacifista desde a adoção de sua Constituição de 1947, que limita o uso das Forças de Autodefesa. Após o encontro, Takaichi afirmou que ambos concordaram sobre a importância de garantir a segurança do Estreito de Ormuz, mas ressaltou ter explicado ao presidente norte-americano os limites legais da atuação japonesa.

Apesar do episódio, o encontro também evidenciou uma relação diplomática considerada cordial. Em ocasiões anteriores, Takaichi já havia demonstrado proximidade com Trump, incluindo uma reunião em Tóquio, na qual afirmou que o indicaria ao Prêmio Nobel da Paz. Em determinado momento, ela declarou: “Acredito firmemente que somente você, Donald, pode alcançar a paz mundial.”

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.