Notícias / Donald Trump

Trump diz que poderá ter a ‘honra’ de tomar Cuba e fazer ‘o que quiser’

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirma que pode agir livremente sobre Cuba e cita possível acordo, enquanto negociações e crise na ilha avançam

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump / Crédito: Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou acreditar que poderá “ter a honra” de tomar Cuba, em declarações feitas durante um evento recente. A fala ocorre em meio a tensões diplomáticas e a negociações ainda em andamento entre os dois países.

Ao comentar o tema, Trump disse que teria o direito de agir livremente em relação à ilha caribenha, que classificou como um Estado falido. “Eu acredito que terei a honra de tomar Cuba. Isso seria ótimo. Seria uma grande honra. (…) [Repórter: ‘Tomar Cuba?’] Tomar Cuba. De alguma forma, sim. Quer dizer, seja libertando-a, tomando-a, acho que posso fazer o que quiser com ela”, afirmou.

Questionado sobre como uma eventual ação poderia ocorrer, o presidente não apresentou detalhes sobre possíveis medidas, incluindo a hipótese de uma operação militar.

Negociações com Cuba?

As declarações foram feitas um dia após Trump afirmar que Cuba estaria interessada em um acordo com os Estados Unidos. Segundo ele, um entendimento entre os dois países poderia ser alcançado em breve. “Cuba também quer fechar um acordo, e acho que muito em breve chegaremos a um acordo ou faremos o que for necessário”, disse a repórteres a bordo do avião presidencial.

“Estamos em negociações com Cuba”, acrescentou o presidente, indicando, no entanto, que outras questões internacionais teriam prioridade. Ele afirmou que pretende lidar primeiro com o Irã antes de avançar nas tratativas com Havana. Em referência recente ao cenário internacional, Trump mencionou um ataque conjunto entre Estados Unidos e Israel que resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro.

Do lado cubano, o governo confirmou na sexta-feira, 13, que mantém negociações com Washington. Segundo autoridades da ilha, houve inclusive a libertação de presos políticos como parte de um acordo mediado pelo Vaticano, que atua historicamente como intermediador entre os dois países.

Nos últimos meses, Trump intensificou o tom das declarações sobre Cuba. Desde janeiro, o governo norte-americano implementou um embargo energético contra a ilha, justificando a medida com base na “ameaça excepcional” que o país representaria para a segurança nacional dos Estados Unidos. A proximidade geográfica — cerca de 150 quilômetros da costa da Flórida — também foi citada como fator relevante.

A situação interna em Cuba, vale mencionar, tem sido marcada por dificuldades recentes. No mesmo dia das declarações, a rede elétrica nacional entrou em colapso, deixando aproximadamente 10 milhões de pessoas sem energia. A operadora estatal informou que investiga as causas do apagão e declarou que “não foram relatadas avarias em nenhuma das unidades térmicas que estavam em operação no momento da desconexão do SEN”, conforme repercute o UOL.

Trump já havia indicado, em ocasiões anteriores, que considera a situação do país crítica. Em declarações recentes, afirmou que Cuba está em “sérios apuros” e que poderia haver uma “tomada amigável” do território, dependendo das circunstâncias. Segundo ele, o país estaria “à beira do colapso”.

No início de março, o presidente também declarou que uma eventual operação envolvendo Cuba seria “uma questão de tempo”, embora tenha reiterado que outras prioridades internacionais estão em andamento.

As falas reforçam um cenário de incerteza nas relações entre Estados Unidos e Cuba, que alternam sinais de negociação com declarações de confronto. Até o momento, não há confirmação de medidas concretas relacionadas às afirmações feitas pelo presidente norte-americano.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.