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Teoria da conspiração liga Trump a viagens no tempo

Ilustrações antigas de máquinas voadoras com a palavra “Trump” voltaram a circular na internet e alimentam especulações

Trump futurismo
Inscrição "Trump" em mural obra futurista dos anos 1900 - Stephen Romano Gallery

Uma teoria da conspiração inusitada voltou a ganhar força nas redes sociais após a redescoberta de cadernos de esboços com mais de um século de idade que mostram projetos de aeronaves futuristas com a palavra “Trump” escrita em alguns deles. Para entusiastas dessas teorias, os desenhos seriam uma suposta pista de que o presidente dos Estados Unidos Donald Trump teria alguma ligação com viagens no tempo — uma hipótese que não possui respaldo científico.

Os cadernos pertencem ao artista e inventor Charles Dellschau, um imigrante prussiano que viveu nos Estados Unidos entre o século XIX e o início do século XX. Dellschau morreu em 1923 e deixou centenas de desenhos de máquinas voadoras que ele chamava de “aeros”, uma espécie de mistura imaginária entre dirigíveis, balões e aviões primitivos.

Trump viajante do tempo?

Alguns desses esboços incluem a palavra “TRUMP” e números associados à política americana contemporânea — como 45, número que corresponde ao mandato presidencial de Trump entre 2017 e 2021. A coincidência chamou atenção de usuários da internet, que passaram a compartilhar as imagens como suposta prova de previsões do futuro ou de tecnologia capaz de atravessar o tempo.

Os desenhos também fazem referência a uma substância fictícia chamada “NB Gas”, que Dellschau descrevia como um combustível antigravitacional capaz de fazer suas aeronaves voarem sem motores convencionais. Segundo especialistas em arte futurista, as ilustrações refletem mais a imaginação e o fascínio da época por invenções e dirigíveis experimentais do que qualquer tentativa real de prever tecnologias futuras.

A teoria conspiratória ganhou ainda mais combustível com a lembrança de livros publicados no final do século XIX pelo escritor americano Ingersoll Lockwood. Nessas obras infantis, o protagonista se chama Baron Trump, um garoto que vive em um castelo chamado “Castle Trump” e embarca em aventuras guiado por um mentor chamado “Don”. As coincidências entre os nomes e a família do ex-presidente são frequentemente citadas por teóricos da conspiração.

Apesar das interpretações espalhadas online, historiadores e especialistas apontam que não há qualquer evidência de ligação entre os desenhos de Dellschau, os livros de Lockwood e figuras políticas contemporâneas. As semelhanças são tratadas como coincidências curiosas ou como exemplos de como conteúdos históricos podem ser reinterpretados fora de contexto.

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.