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Texto de diário de bordo de Pearl Harbor jogado no lixo é revelado após 50 anos

Documento encontrado na década de 1970 apresenta relatos inéditos sobre o ataque japonês de 1941 que levou os Estados Unidos a entrar na Segunda Guerra

Recorte do diário de bordo descoberto recentemente / Crédito: Divulgação/Arquivo Nacional dos EUA

Recentemente, um diário de bordo do ataque a Pearl Harbor, que ficou perdido por mais de 50 anos, foi recuperado e agora integra o acervo do Arquivo Nacional dos Estados Unidos. Este documento histórico, que traz relatos inéditos sobre o ataque japonês em 1941, foi encontrado por Oretta Kanady na década de 1970, quando ela trabalhava na Base Aérea de Norton, na Califórnia.

Durante uma limpeza, Kanady avistou um livro jogado em uma pilha de lixo. Movida pela curiosidade, pediu permissão para resgatar o objeto e salvou assim um registro de grande importância histórica. Sem saber, ela havia encontrado um diário da base naval de Pearl Harbor, escrito em um contexto crucial da Segunda Guerra Mundial.

O diário ficou guardado durante anos com o filho de Kanady, Michael Bonds. Ele se recorda que não deu muita importância ao achado na época, mas o manteve em uma caixa até que sua noiva, Tracylyn Sharrit, descobrisse o valor do material ao ajudá-lo a desempacotar suas coisas em 2023. “Eu o tenho desde então. Nos últimos anos, mudei para cá e para lá. Ele ficou guardado numa caixa“, disse Bonds ao The Washington Post.

Com mais de 500 páginas, o diário apresenta registros regulares desde março de 1941 até junho de 1942, documentando eventos cruciais como a entrada dos Estados Unidos na guerra após o ataque surpresa em 7 de dezembro de 1941. O material inclui informações meteorológicas e registros de movimentação naval que ajudam a entender melhor aquele período.

Os dias 6 e 7 de dezembro são particularmente impactantes nas anotações. Em uma das entradas, está descrito: “Às 06:57, submarino desconhecido (japonês) atacou — foi atacado e afundado perto da entrada. Às 07:55, aeronaves e submarinos japoneses atacaram Pearl Harbor e outros objetivos militares e navais em Oahu”. Esse ataque resultou na morte de mais de 2.400 soldados americanos e levou à declaração de guerra dos EUA contra o Japão.

Páginas do diário de bordo de Pearl Harbor descoberto recentemente / Crédito: Divulgação/Arquivo Nacional dos EUA

Importância histórica

Após a descoberta do diário por Sharrit e Bonds, eles buscaram a orientação da livraria Whitmore Rare Books em Pasadena. O fundador da loja, Dan Whitmore, reconheceu imediatamente a relevância histórica do documento e alertou que provavelmente ainda pertencia ao governo dos Estados Unidos.

De fato, quando o Arquivo Nacional foi contatado, enviou um agente especial à Califórnia para recuperar o diário. Como reconhecimento pelo resgate do material histórico, o casal recebeu camisetas oficiais do Arquivo Nacional, repercute a Revista Galileu.

Bonds expressou descontentamento com a falta de uma compensação mais substancial pela descoberta significativa. Ele ressaltou que sem a atenção cuidadosa da mãe, esse valioso documento teria se perdido para sempre.

Em agosto deste ano, o Arquivo Nacional fez a inauguração oficial do diário, disponibilizando as páginas digitalizadas e transcrições para acesso público. Para os historiadores e pesquisadores, essas informações são inestimáveis tanto para compreender os eventos militares quanto para analisar os dados climáticos meticulosamente registrados durante a guerra.

Fotografia de Pearl Harbor no momento do ataque / Crédito: Getty Images

Jim Byron, consultor sênior do Arquivo Nacional, destacou em comunicado a importância desse registro histórico: “Este item especial é um dos poucos registros sobreviventes que ajudam a contar a história da data que permanecerá na infâmia. Graças aos esforços de um casal californiano com consciência histórica, ele agora está disponível ao povo americano, permitindo que todos apreciem melhor sua história”. A recuperação deste diário é uma prova do valor dos registros deixados por aqueles que serviram na época da guerra.

Mais de oito décadas depois do evento que marcou os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, as observações feitas por marinheiros anônimos se juntam a outros documentos históricos que continuam sendo preservados e digitalizados para apreciação pública. O climatologista Praveen Teleti observou: “A guerra os cercava, mas eles ainda faziam seu trabalho com tanto profissionalismo. É graças à sua dedicação e determinação que temos essas observações 80 anos depois”.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.