Irã afirma usar armas “nunca antes utilizadas” em guerra contra EUA e Israel
Porta-voz iraniano afirma que novos armamentos já foram empregados em ataques, e que ofensiva contra EUA e Israel deve crescer

O Irã afirmou nesta quarta-feira, 18, que tem utilizado armamentos inéditos no atual conflito contra os Estados Unidos e Israel. A declaração foi feita pelo porta-voz do Exército iraniano, Amir Akraminia, que indicou ainda a possibilidade de intensificação do uso dessas tecnologias nos próximos dias.
“Usamos armamentos nesta guerra que nunca havíamos usado antes e usaremos mais nos próximos dias, e vocês estão vendo as notícias sobre o impacto deles”, afirmou o militar em entrevista à televisão estatal iraniana.
Segundo relatos de moradores dos Emirados Árabes Unidos e de Israel — dois dos países mais atingidos pelos ataques —, explosões recentes têm sido mais intensas, especialmente durante operações de interceptação. Paralelamente, forças iranianas também teriam ampliado o uso de ogivas de fragmentação em mísseis balísticos, um tipo de armamento que dispersa múltiplos projéteis ao atingir o alvo.
De acordo com militares israelenses, esse tipo de ogiva já havia sido empregado em confrontos anteriores, como no conflito de 12 dias ocorrido em junho de 2025, mas agora estaria sendo utilizado com maior frequência.
Escalada militar no Oriente Médio
O cenário faz parte de uma escalada militar mais ampla no Oriente Médio. O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã teve início em 28 de fevereiro, após uma ofensiva coordenada entre norte-americanos e israelenses que resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã. A operação também atingiu membros de alto escalão do governo iraniano, além de estruturas militares, incluindo navios, sistemas de defesa aérea e aeronaves, segundo autoridades dos EUA.
Em resposta, o Irã lançou ataques contra diversos países da região, incluindo Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. Autoridades iranianas afirmam que os alvos são interesses ligados aos Estados Unidos e a Israel nesses territórios.
O impacto humano do conflito também tem sido significativo. Mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início das hostilidades, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos EUA. Já a Casa Branca informou que ao menos sete soldados norte-americanos morreram em decorrência direta dos ataques iranianos, repercute a CNN Brasil.
A escalada também alcançou o Líbano, onde o grupo armado Hezbollah, apoiado pelo Irã, realizou ataques contra Israel em retaliação à morte de Ali Khamenei. Em resposta, forças israelenses intensificaram bombardeios aéreos no território libanês, alegando atingir posições do grupo. Centenas de pessoas já morreram no país vizinho desde então.
Após a morte de grande parte da liderança iraniana, um conselho interno nomeou um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Analistas avaliam que sua ascensão indica continuidade na linha política do regime, sem mudanças estruturais significativas.
A escolha foi criticada pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que classificou a decisão como um “grande erro”. Ele também declarou que deveria estar envolvido no processo e afirmou que Mojtaba seria “inaceitável” para liderar o país.
Com a intensificação dos ataques e o uso de novos armamentos, o conflito segue em expansão, aumentando as tensões regionais e o número de vítimas em diferentes países do Oriente Médio.