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Notícias / Ciência

Implante cerebral transforma pensamentos em palavras em tempo real

Pesquisadores desenvolveram um implante cerebral que utiliza inteligência artificial para transformar em fala os pensamentos de uma mulher paralisada

Luiza Lopes sob supervisão de Giovanna Gomes Publicado em 01/04/2025, às 12h40

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Coordenador da pesquisa conecta porta de dados neurais na cabeça da paciente - Divulgação/Universidade da Califórnia
Coordenador da pesquisa conecta porta de dados neurais na cabeça da paciente - Divulgação/Universidade da Califórnia

Pesquisadores americanos desenvolveram um implante cerebral inovador que utiliza inteligência artificial para transformar os pensamentos de uma mulher paralisada em fala, com um atraso de apenas 80 milissegundos. 

O avanço, publicado na Nature Neuroscience, representa um grande salto na comunicação assistiva, trazendo esperança para aqueles que perderam completamente a capacidade de falar.

O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e testado em Ann, uma professora de matemática de 47 anos que ficou tetraplégica e perdeu a fala após um acidente vascular cerebral (AVC) há 18 anos. 

Resposta instantânea

Conforme afirma o comunicado divulgado pela universidade, em versões anteriores da tecnologia, havia um atraso de até oito segundos entre a geração dos pensamentos e sua conversão em fala, o que dificultava uma comunicação fluida. Agora, a nova interface cérebro-computador (BCI, na sigla em inglês) permite uma resposta praticamente instantânea, tornando a interação muito mais natural.

A tecnologia se baseia em um algoritmo de inteligência artificial do tipo aprendizado profundo ("deep learning", em inglês), que foi treinado com gravações da voz de Ann antes de sua lesão. Durante os testes, ela mentalmente repetia frases exibidas em uma tela, como "Então, você me ama?", e o sistema decodificava seus sinais cerebrais para reproduzir a fala com a sua voz original. 

Ann relatou forte emoção ao ouvir sua própria voz novamente e descreveu uma sensação de "corporalidade" ao se expressar dessa forma, contou o principal autor do estudo, Gopala Anumanchipalli, em comunicado. Embora ainda em fase inicial, o implante demonstrou um vocabulário limitado a 1.024 palavras e algumas imprecisões na conversão de pensamentos em fala.

Diferente das tecnologias invasivas, como as da Neuralink, de Elon Musk, este implante utiliza eletrodos que não penetram profundamente no cérebro, sendo instalados por meio de procedimentos já comuns em hospitais, como os usados no diagnóstico da epilepsia, repercute a AFP.