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Coreia do Norte e Bielorrússia assinam tratado de amizade

Líder da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, foi recebido por Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, em cerimônia luxuosa

Alexander Lukashenko e Kim Jong-un na cerimônia - Créditos: Presidência da Bielorrússia/SIPA/Shutterstock

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, recebeu o líder da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, de forma calorosa nesta quinta-feira, 26. O encontro aconteceu em Pyongyang, capital norte-coreana, onde ambos assinaram um tratado de ‘amizade e cooperação’.

Ambas as nações são acusadas de graves violações dos direitos humanos e estão sujeitas a sanções ocidentais, visto que apoiam a Rússia na guerra contra a Ucrânia.

Segundo a agência de notícias estatal bielorrussa Belta, o líder do país teria afirmado que as relações amistosas entre os dois países, que nasceram durante a era da União Soviética, nunca foram interrompidas. “Hoje, graças a um desenvolvimento abrangente e constante, estamos entrando em uma fase fundamentalmente nova”.

“Nas realidades modernas da transformação global, numa altura em que as principais potências mundiais ignoram e violam abertamente as normas do direito internacional, os países independentes devem cooperar mais estreitamente e consolidar os seus esforços para proteger a sua soberania e melhorar o bem-estar dos seus cidadãos”, completou.

Kim Jong-un preparou uma luxuosa cerimônia de boas vindas, incluindo uma salva de artilharia com soldados marchando em passo de ganso diante de uma multidão que agitou bandeiras. A Belta reproduziu imagens dos dois líderes se abraçando durante a cerimônia.

A agência de notícias central coreana informou que Kim recebeu Lukashenko com prazer e calorosamente, após um encontro realizado no ano passado em Pequim.

O líder bielorrusso visitou o Palácio do Sol de Kumsusan, local onde os corpos embalsamados do pai e do avô de Kim estão, para prestar homenagens.

Lukashenko, que desde o início da guerra na Ucrânia, se tornou um aliado firme de Moscou, depositou um buquê em nome do presidente Russo Vladimir Putin.

A parceria Belarus e Coreia do Norte faz parte de uma iniciativa liderada por Xi Jinping, líder da China, e por Vladimir, com o objetivo de criar um “mundo multipolar”, para romper com a hegemonia ocidental.

Coreia do Norte e o Apoio a Rússia 

Ambos os países fornecem assistência a Moscou na guerra na Ucrânia, a capital da Bielorrússia, Minsk, serve como plataforma de lançamento para a invasão e Moscou posiciona armas nucleares táticas na Bielorrússia.

É estimado pelas agências de inteligência sul-coreanas e ocidentais que a Coreia do Norte tenha enviado milhares de soldados para a Rússia, juntamente com projéteis de artilharia, mísseis e sistema de foguete. Estima-se que cerca de 2.000 soldados norte-coreanos tenham sido mortos.

Em 2024, a Rússia e a Coreia do Norte assinaram uma parceria estratégica que obriga cada um a fornecer ajuda militar e de outra natureza caso o outro seja atacado.

Analistas afirmam que a Coreia do Norte está recebendo ajuda financeira, tecnologia militar, alimentos e suprimentos de energia da Rússia, ajudando Pyongyang a reduzir a dependência em sua abriga aliada, China, afirmou o The Guardian.

Em seu segundo mandato, Donald Trump tentou estreitar os laços com a Bielorrússia em um “Conselho de Paz”. Além disso, ele já se encontrou com Kim Jong-un três vezes durante seu primeiro mandato.

O ministro das Relações Exteriores da Bielorrússia afirmou que, além do tratado de amizade e cooperação, os dois lados concordariam em cooperar em outras áreas. “O nosso maior interesse… é fortalecer relações verdadeiramente amistosas e de parceria. Temos amigos aqui, e eles estão à nossa espera. Assim como nós os esperamos na Bielorrússia”, afirmou ele.

Essa visita tem como objetivo “demonstrar solidariedade” entre nações que se opõem à ordem ocidental, disse Lee Ho-ryung do Instituto Coreano de Análise de Defesa à AFP. “Kim tentará aproveitar a ocasião para elevar seu perfil diplomático e fortalecer a solidariedade dentro do chamado bloco antiocidental”, disse ela.