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Notícias / Arqueologia

Como tesouro da Idade do Ferro pode transformar a história da Grã-Bretanha

O Tesouro de Melsonby, um vasto depósito de mais de 800 itens, conta com uma cápsula do tempo arqueológica da Idade do Ferro, com cerca de 2.000 anos

Redação Publicado em 25/03/2025, às 14h01

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Escavação em North Yorkshire, na Inglaterra - Divulgação/Universidade de Durham
Escavação em North Yorkshire, na Inglaterra - Divulgação/Universidade de Durham

O Tesouro de Melsonby, um vasto depósito de mais de 800 itens, oferece uma cápsula do tempo arqueológica da Idade do Ferro, com cerca de 2.000 anos.

A avaliação inicial indica que os objetos foram enterrados no primeiro século d.C., durante a conquista romana do sul da Grã-Bretanha sob o comando do imperador Cláudio. Eles provavelmente estão associados à tribo dos Brigantes, que dominava o norte da Inglaterra.

Descoberto em dezembro de 2021 pelo detectorista Peter Heads em um campo próximo à vila de Melsonby, North Yorkshire, o achado foi escavado em 2022 por uma equipe de arqueólogos da Universidade de Durham, com o apoio do Museu Britânico e financiamento de mais de £120.000 (cerca de R$880 mil) da Historic England.

Conforme conta o comunicado divulgado pela universidade, o tesouro está avaliado em £254.000 (cerca de R$1.800.000) e o Museu de Yorkshire lançou uma campanha de arrecadação para garantir sua preservação nacional.

Entre os itens, destacam-se componentes de veículos – como os restos parciais de mais de sete carroças de quatro rodas ou carros de duas rodas –, arreios elaborados para pelo menos 14 pôneis, 3 lanças cerimoniais e 2 caldeirões ornamentados (um dos quais possivelmente usado como tigela para misturar vinho).

Algumas peças de arreio exibem detalhes impressionantes, com corais vermelhos do Mediterrâneo e vidro colorido, evidenciando uma qualidade acima do usual para a época.

Poder e riqueza

A descoberta lança nova luz sobre a expressão de riqueza, status, comércio e mobilidade das tribos da Idade do Ferro. Especialistas sugerem que muitos dos objetos de alto status podem ter pertencido a um indivíduo que fazia parte de uma rede de elites que se estendia por toda a Grã-Bretanha, Europa e até o mundo romano. 

A presença de itens queimados ou quebrados, possivelmente resultado de uma pira funerária simbólica, reforça a ideia de que os proprietários buscavam demonstrar poder e prestígio, afirmaram os pesquisadores em nota. 

No caso do Tesouro de Melsonby, a destruição deliberada de tantos artefatos sugere que a queima não serviu apenas para a eliminação física dos objetos, mas pode ter desempenhado um papel ritualístico, marcando a importância do indivíduo ou da comunidade que os enterrou.

Esse tipo de prática era comum em algumas sociedades da Idade do Ferro, nas quais a ostentação da riqueza, mesmo por meio de sua destruição, reforçava a posição social de elites e guerreiros.

Além disso, segundo Tom Moore, chefe do Departamento de Arqueologia da Universidade de Durham, a a evidência inédita de carroças de quatro rodas, possivelmente inspiradas em modelos da Europa continental, desafia a visão tradicional de que o norte era empobrecido em comparação com o sul da Grã-Bretanha. 

Isso mostra que indivíduos lá tinham a mesma qualidade de materiais, riqueza, status e redes que as pessoas do sul. Eles desafiam nossa forma de pensar e mostram que o norte definitivamente não era uma região isolada”, destacou Moore ao The Guardian. 

A proximidade do tesouro com o grande cercado da Idade do Ferro em Stanwick também é considerada crucial para compreender as conexões e a interconectividade das comunidades da época, conforme conta o comunicado. 

Para garantir a preservação e o estudo detalhado do tesouro, técnicas de escaneamento por tomografia computadorizada (CT) de última geração, realizadas no Centro de Imagens μ-VIS da Universidade de Southampton, foram empregadas para mapear a disposição dos objetos e facilitar a escavação sem danos.