Artefatos e estatueta de guerreiro celta de bronze são descobertos na Alemanha
Arqueólogos descobriram na Baviera mais de 40.000 artefatos celtas da Idade de Ferro, incluindo uma rara estatueta de guerreiro e bronze; confira!

Após três anos de intensos trabalhos arqueológicos, uma equipe de especialistas finalizou a escavação no ópido (term latino que significa “cidade fortificada” ou “cidadela”) celta de Manching, localizado na Baviera. A iniciativa resultou na descoberta de mais de 40.000 artefatos, que oferecem novos insights sobre a vida durante o final da Idade do Ferro. Entre os achados, destaca-se uma rara estatueta de bronze representando um guerreiro.
A figura, com apenas 7,5 centímetros de altura e pesando 55 gramas, apresenta-se em uma pose dinâmica, empunhando uma espada em uma das mãos e um escudo na outra. A presença de um laço na cabeça sugere que ela foi utilizada como um pingente. Apesar de seu tamanho reduzido, a complexidade da peça é notável, tendo sido elaborada por meio da técnica de fundição à cera perdida. Radiografias realizadas pelo Escritório Estadual da Baviera para Preservação de Monumentos (BLfD) confirmaram a solidez do bronze, revelando detalhes ocultos sob a corrosão.
A originalidade do design gerou debates entre os acadêmicos. A estatueta aparenta estar armada na parte superior do corpo, mas sem vestimentas na parte inferior, um simbolismo que alguns estudiosos associam às representações da masculinidade e coragem na Grécia Antiga. As funções que a figurinha poderia ter desempenhado — seja como ornamento, figura espiritual ou objeto ritual — ainda permanecem incertas. Contudo, a utilização do metal evidencia as habilidades avançadas dos metalúrgicos celtas.
Esta estatueta de 75 milímetros de altura e 55 gramas é uma peça muito intrincada e rica em detalhes”, declarou Thomas Stöckl, restaurador do BLfD, em comunicado à imprensa.

As escavações cobriram uma área de 6.800 metros quadrados entre 2021 e 2024 e documentaram cerca de 1.300 características arqueológicas. Os trabalhos revelaram indícios de um planejamento urbano, incluindo zonas residenciais e oficinas especializadas. Mais de 15.000 objetos metálicos foram encontrados, muitos dos quais eram fragmentos reciclados oriundos de atividades metalúrgicas. Esses itens foram meticulosamente digitalizados antes da conservação — totalizando 2.034 imagens — permitindo aos pesquisadores analisar técnicas e materiais utilizados na fabricação.
Pela primeira vez, os arqueólogos também descobriram ossos e escamas de peixe no local, comprovando que a dieta celta incluía carne bovina, suína, grãos e peixe. O abate de cavalos ocorria apenas quando estes atingiam idade avançada, indicando seu uso prioritário para trabalho. Ovelhas e cabras eram criadas principalmente para produção de lã e leite.
Entre os achados está um depósito ritual contido em uma caixa datada entre 120 e 60 a.C., que continha restos humanos de pelo menos três indivíduos, ossos de animais, 32 objetos metálicos e fragmentos de mais de 50 recipientes cerâmicos. Este achado foi considerado “extraordinário” pelo diretor da escavação, Sebastian Hornung, da Pro Arch Prospektion und Archäologie GmbH, devido à recuperação de dois esqueletos humanos quase completos em um único contexto.

Manching
Manching foi estabelecida no final do século 4 a.C. e se tornou um importante centro político e econômico ao norte dos Alpes até o século 2 a.C., alcançando sua máxima extensão com cerca de 400 hectares e capacidade para abrigar até 10.000 habitantes — superando em tamanho a medieval Nuremberg. No entanto, a cidade começou a entrar em declínio por volta da metade do século 1 a.C.
Apesar de ser um dos assentamentos celtas mais estudados na Europa Central, apenas cerca de 12% do sítio foi explorado até agora. “A riqueza dos achados das escavações mais recentes nos conta como o assentamento da Idade do Ferro tardia era organizado, como as pessoas viviam, trabalhavam e se alimentavam, com quem mantinham relações comerciais e quais habilidades técnicas haviam desenvolvido”, afirmou o professor Mathias Pfeil, Conservador Geral do BLfD.
O local já havia proporcionado descobertas impressionantes no passado; em 1999, arqueólogos encontraram um tesouro composto por 483 moedas de ouro e um lingote pesando 3,7 quilos. Contudo, grande parte desse tesouro foi roubada em 2022 e os criminosos foram condenados neste ano. Entretanto, o ouro continua desaparecido, com fragmentos derretidos sugerindo que pode estar perdido para sempre.
Com o término das escavações recentes, os artefatos recém-descobertos serão integrados às coleções estaduais para futuras pesquisas.