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Nova Zelândia: O primeiro país menor a declarar guerra ao Eixo

Mesmo distante dos principais campos de batalha, a Nova Zelândia foi o primeiro país fora das potências a declarar guerra ao Eixo

Nova Zelândia 2a Guerra capa
Infantaria neozelandesa em campanha no Norte da África (1941) - Getty Images

Separada dos principais cenários da Segunda Guerra Mundial por milhares de quilômetros de oceano, a Nova Zelândia poderia ter permanecido relativamente distante do conflito. No entanto, o país foi um dos primeiros a se posicionar ao lado dos Aliados. Em 3 de setembro de 1939, poucas horas após as declarações de guerra do Reino Unido e da França à Alemanha nazista, o governo neozelandês anunciou sua entrada no conflito, tornando-se a primeira nação de menor porte a tomar essa iniciativa.

Naquele momento, a Nova Zelândia ainda mantinha fortes laços políticos com a Grã-Bretanha. Embora tivesse conquistado o status de domínio autônomo em 1907 e sua autonomia legislativa fosse reconhecida pelo Estatuto de Westminster, de 1931, a independência plena só seria formalizada em 1947, dois anos após o fim da guerra. O chefe de Estado continuava sendo o monarca britânico, representado no país por um governador-geral — estrutura que permanece em vigor até hoje dentro da Commonwealth.

Diferentemente do que ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial, porém, a participação neozelandesa desta vez não foi determinada automaticamente pela Coroa britânica. A decisão partiu do próprio governo, então liderado pelo primeiro-ministro Peter Fraser, que justificou o apoio afirmando que a pequena nação compartilhava do mesmo destino do Reino Unido diante da ameaça representada pelas potências do Eixo.

A campanha da Nova Zelândia

Logo após a declaração de guerra, o país organizou a Segunda Força Expedicionária da Nova Zelândia (2NZEF), responsável por combater ao lado dos Aliados durante cerca de seis anos. Os militares neozelandeses participaram de campanhas em diversos teatros de operações, incluindo o Norte da África, a Itália e, sobretudo, o Pacífico, onde permaneceram até meses após a rendição da Alemanha.

Na frente ocidental, destacaram-se em batalhas decisivas como El Alamein, considerada um dos pontos de virada da guerra no Norte da África. Mais tarde, integraram a campanha da Itália, participando da dura ofensiva em Monte Cassino ao lado de tropas britânicas, indianas, polonesas e da Força Expedicionária Brasileira (FEB).

Foi, entretanto, na guerra contra o Japão que a presença neozelandesa se mostrou mais constante. O país participou de operações em locais estratégicos como as Ilhas Salomão e a Nova Guiné, contribuindo para conter o avanço japonês no Pacífico Sul.

A Marinha Real da Nova Zelândia também desempenhou papel relevante durante o conflito. Ainda em 1939, embarcações neozelandesas participaram da Batalha do Rio da Prata, travada no Atlântico Sul entre navios britânicos e o encouraçado alemão Admiral Graf Spee. O confronto entrou para a história como a única grande batalha naval ocorrida naquela região durante toda a guerra.

Um dos aspectos mais marcantes das tropas neozelandesas era a preservação das tradições maoris. Antes de muitos combates, soldados realizavam o haka, dança cerimonial acompanhada por cantos e movimentos vigorosos, utilizada para fortalecer o espírito da tropa e intimidar os adversários. A prática, hoje mundialmente conhecida por meio da seleção neozelandesa de rúgbi, já fazia parte da identidade militar do país durante a guerra.

Enquanto milhares de soldados combatiam no exterior, a economia da Nova Zelândia foi reorganizada para atender às necessidades dos Aliados. O governo ampliou a produção de munições, embarcações de apoio e equipamentos militares, além de disponibilizar portos e bases estratégicas para o trânsito de tropas e suprimentos no Pacífico.

A agricultura também assumiu papel fundamental. Com apenas 1,6 milhão de habitantes em 1940, o país figurava entre os maiores exportadores mundiais de produtos agropecuários. Carne bovina, ovina e suína, além de leite e derivados, abasteciam principalmente o Reino Unido e outras nações aliadas. Ao longo da guerra, a Nova Zelândia respondeu por cerca de 3% das exportações globais de produtos agrícolas, ocupando a oitava posição mundial nesse setor.

A mobilização contou ainda com amplo apoio da população, formada majoritariamente por descendentes de europeus e pelos povos maoris. Campanhas voluntárias de racionamento permitiram direcionar alimentos e matérias-primas para os soldados que lutavam no exterior, apesar de o território neozelandês jamais ter sofrido invasões ou bombardeios inimigos.

Internamente, o conflito também transformou profundamente a sociedade. O governo trabalhista expandiu o controle estatal sobre diversos aspectos da vida cotidiana, implantando o serviço militar obrigatório, regulamentando a distribuição da mão de obra e criando mecanismos para estabilizar a economia durante os anos de guerra.

Também foram adotadas medidas como censura à imprensa, monitoramento de estrangeiros considerados cidadãos de países inimigos e a criação de campos de detenção para mais de 800 objetores de consciência. Lideranças pacifistas chegaram a ser presas por se manifestarem contra a participação do país no conflito, embora a maioria da população aceitasse as restrições impostas em nome do esforço de guerra.

Ao todo, cerca de 140 mil neozelandeses serviram nas Forças Armadas, número expressivo para um país de dimensões relativamente pequenas. Desse total, aproximadamente 104 mil integraram a 2NZEF, enquanto outros 36 mil atuaram na Marinha, na aviação ou em unidades do Exército.


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