Pentágono passa a exigir exames de testosterona para militares acima dos 30 anos
Segundo o Pentágono, o objetivo é obter o máximo desempenho dos militares; medida, no entanto, recebeu críticas

Militares da ativa e da reserva dos EUA que tiverem 30 anos ou mais deverão realizar exames de deficiência de testosterona após decisão anunciada na última quarta-feira, 15, pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth. A medida passará a integrar as avaliações médicas anuais das Forças Armadas e, segundo o governo, busca garantir que os integrantes das tropas mantenham condições físicas adequadas para o serviço militar.
Militares com menos de 30 anos também poderão solicitar o exame de forma voluntária e, caso sejam diagnosticados com níveis reduzidos do hormônio, a reposição de testosterona será oferecida como tratamento opcional.
De acordo com o portal O Globo, ao anunciar a iniciativa em um vídeo publicado na rede social X, Hegseth afirmou:
Está cientificamente bem estabelecido que, à medida que envelhecemos, os níveis de testosterona caem de forma natural. Não se trata de uma melhora artificial; é sobre restaurar e otimizar as capacidades naturais, proteger a longevidade e assegurar que vocês tenham a base biológica necessária para sustentar a batalha”.
Sean Parnell, porta-voz-chefe do Pentágono, disse que o programa permitirá ao Departamento de Defesa estabelecer um panorama mais completo da saúde hormonal dos militares e oferecer tratamento apenas aos casos identificados. A instituição ressaltou que o uso de testosterona para fins estéticos ou de ganho de massa muscular sem indicação médica continuará proibido.
Contexto do anúncio
A decisão ocorre em meio aos esforços do governo do presidente Donald Trump para ampliar o acesso à terapia de reposição hormonal masculina. No mês passado, a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) propôs flexibilizar as regras para prescrição de géis, adesivos, comprimidos e injeções de testosterona, atualmente indicados apenas para pacientes diagnosticados com hipogonadismo.
Como explica o O Globo, a testosterona desempenha um papel importante no desenvolvimento muscular, na produção de espermatozoides e na libido masculina. Os níveis do hormônio costumam diminuir naturalmente entre os 30 e os 40 anos, e especialistas estimam que sua deficiência afete entre 10% e 40% dos homens mais velhos, podendo provocar sintomas como fadiga, perda de massa muscular, redução da libido e alterações de humor.
Para Mohit Khera, professor de urologia da Faculdade de Medicina Baylor e integrante de um painel consultivo da FDA, a triagem pode identificar militares que apresentam deficiência hormonal capaz de comprometer o desempenho físico. Ele, porém, ressalta que a reposição deve ser indicada apenas quando houver sintomas e diagnóstico confirmado, já que o tratamento também pode causar efeitos adversos, como infertilidade e possíveis riscos cardiovasculares.
Críticas
A nova política, entretanto, provocou críticas de parlamentares democratas e especialistas. Segundo a agência Associated Press, o Departamento de Defesa ainda não apresentou estudos científicos que fundamentem a adoção da medida em larga escala.
Outro ponto levantado pelos críticos é que o Pentágono não esclareceu se militares mulheres também serão submetidas à avaliação hormonal ou se haverá exames relacionados aos níveis de estrogênio durante a perimenopausa. A senadora Tammy Duckworth defendeu que o programa seja ampliado para ambos os sexos, enquanto a deputada Chrissy Houlahan apontou que a iniciativa seria mais um exemplo das chamadas “guerras culturais” promovidas por Hegseth, que chegou a impedir a promoção de algumas mulheres e mesmo a demitir líderes do sexo feminino.
O debate também reacendeu discussões sobre o uso de testosterona nas Forças Armadas americanas. Nos últimos anos, investigações identificaram o uso irregular de hormônios entre integrantes de unidades de operações especiais. Em 2022, por exemplo, a morte de um recruta da Navy SEALs revelou a presença de testosterona e outras substâncias voltadas ao aumento de desempenho físico.