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Estudo revela como o corpo identifica mudanças de temperatura

Descoberta desafia teorias de décadas ao identificar sensores na pele que detectam variações de temperatura opostas

Pesquisadores examinaram como milhares de células nervosas termorreceptoras respondiam a temperaturas frias e quentes - Foto: Phill Bokiniec/Universidade de Queensland

Um estudo publicado na revista científica Neuron revelou um mecanismo inédito sobre como o ser humano percebe mudanças de temperatura. Pesquisadores da Austrália e da Alemanha identificaram que a maioria das células nervosas da pele, responsáveis pela sensibilidade térmica, consegue detectar simultaneamente o frio e o calor. A descoberta rompe com a visão científica aceita há décadas, que defendia a existência de sensores biológicos separados e especializados para cada tipo de sensação térmica.

Alerta sensorial inicial

Essas células nervosas, conhecidas tecnicamente como termorreceptores, funcionam como a primeira linha de defesa do organismo frente às oscilações do ambiente. Conforme detalhado pela Revista Galileu, esses sensores enviam sinais imediatos ao cérebro para reportar o que ocorre na superfície cutânea. 

A professora da Universidade de Queensland e coautora da pesquisa, Clarissa Whitmire, explica que o processo é mais integrado do que se imaginava. “Nosso estudo mostra que, em vez de depender de duas células nervosas separadas para detectar calor e frio, os termorreceptores do corpo podem sinalizar ambas as sensações para o cérebro”, afirmou Clarissa Whitmire, destacando que essas células aumentam a atividade no frio e a reduzem quando o calor sobe.

Pesquisa com tecnologia

Para mapear esse comportamento, os cientistas utilizaram técnicas de imagem de alta precisão em modelos de laboratório. O grupo focou em variações térmicas comuns do dia a dia, como a sensação de entrar em um quarto refrigerado ou o contato com a água morna de um banho. 

Através de um microscópio de dois fótons, foi possível observar em tempo real o funcionamento de milhares de neurônios sensoriais. A equipe descobriu que um canal iônico específico, chamado TRPM8, é o grande responsável por permitir que um único neurônio consiga codificar sensações térmicas opostas em nível molecular.

Futuro da medicina

A compreensão deste sistema duplo de sinalização abre portas para novas abordagens terapêuticas: de acordo com o pesquisador Phill Bokiniec, também da Universidade de Queensland, a regulação precisa da temperatura é vital para a homeostase, que é a capacidade do corpo de manter seu equilíbrio interno. 

Ele ressalta que pacientes com diabetes, esclerose múltipla ou lesões na medula costumam perder parte dessa sensibilidade. “O envelhecimento também é uma preocupação significativa, já que os idosos estão em risco durante ondas de calor, e sensores térmicos com defeito podem dificultar a regulação da temperatura corporal”, alertou Phill. Além de tratamentos, os cientistas agora investigam se falhas nesses sensores podem servir como sinais precoces de degeneração do organismo.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes

Meu propósito é dar voz a narrativas.