As maiores teorias que envolvem os Romanov
Entenda as teorias que envolvem as mortes do czar Nicolau II, de sua esposa Alexandra e de seus cinco filhos, Olga, Tatiana, Maria, Anastásia e Alexei

Era madrugada de 17 de julho, ano de 1918. Naquela noite, o czar Nicolau II, sua esposa Alexandra, seus cinco filhos — Olga, Tatiana, Maria, Anastásia e Alexei —, além de quatro empregados, foram surpreendidos por um grupo de revolucionários bolcheviques na Casa Ipatiev, em Ecaterimburgo, onde se encontravam confinados desde a renúncia do czar, ocorrida no ano anterior. Os revolucionários seguiam uma ordem do novo governo soviético, que ditava que toda e qualquer possibilidade de restauração da monarquia deveria ser eliminada. Terminava assim a dinastia que, por mais de 300 anos, comandou a Rússia.
No entanto, muito tempo se passou até que o mundo compreendesse exatamente o que ocorreu na data, já que os bolcheviques esconderam os corpos em uma floresta próxima e divulgaram informações contraditórias. Foi justamente esse silêncio que abriu espaço para uma série de especulações envolvendo os Romanov.
A princesa que teria escapado
Certamente nenhuma das teorias que viriam a seguir é tão famosa quanto a que diz que a grã-duquesa Anastásia Romanov teria sobrevivido ao massacre. A história começou a circular pela Europa em um momento em que o paradeiro da família imperial ainda era um mistério.
Alguns dos guardas responsáveis pela execução relataram na época que o massacre realmente havia ocorrido, mas destacaram que as filhas do czar não haviam morrido imediatamente com os disparos dirigidos ao peito. Conforme destaca uma matéria do portal SuperInteressante, isso ocorreu porque as joias costuradas em suas roupas teriam desviado parte das balas. De acordo com esses relatos, foi necessário usar baionetas para concluir a execução. Além disso, os homens admitiram que estavam embriagados naquela noite e que não vigiaram os corpos com o devido cuidado. A partir dessas declarações, surgiu a teoria de que Anastásia teria conseguido escapar.

A teoria parecia possível porque em nenhum momento houve a identificação pública dos corpos. Resultado disso foi que, ao longo das décadas seguintes, dezenas de mulheres se apresentariam dizendo ser a grã-duquesa.
Exilada na Dinamarca, Maria Feodorovna, mãe de Nicolau II, chegou a entrevistar diversas mulheres que afirmavam ser sua neta. Ao longo das décadas, pelo menos sete pretendentes surgiram em diferentes países alegando ser a princesa sobrevivente. A mais conhecida delas foi Anna Anderson, encontrada em Berlim em 1920 após uma tentativa de suicídio.
Anderson dizia não se lembrar completamente de seu passado. Contudo, logo, passou a afirmar que era a filha mais nova de Nicolau II. Algumas pessoas próximas à antiga corte acreditaram nela, mas outras rejeitaram sua história desde o princípio.
A dúvida se estenderia por muitos e muitos anos até que, na década de 1990, exames de DNA compararam o material genético de Anderson com parentes vivos dos Romanov e demonstraram que ela não possuía qualquer ligação com a família imperial. Tratava-se, na verdade, Franziska Schanzkowska, uma operária polonesa desaparecida pouco após a Primeira Guerra Mundial.
A última das mulheres que afirmaram ser a grã-duquesa foi Natalya Bilikhodze, que apresentou sua reivindicação em 1995, aos 95 anos de idade.
O desaparecimento de Alexei
Outro mito persistente envolveu Alexei, o herdeiro do trono, que, por sofrer de hemofilia, era considerado fisicamente frágil. Houve quem acreditou na época que os guardas poderiam ter poupado o garoto ou mesmo que ele teria sido retirado secretamente da casa antes da execução.
A teoria ganhou força porque, quando os primeiros restos mortais dos Romanov foram encontrados em 1991, apenas nove esqueletos estavam presentes. Faltavam justamente dois membros da família: Alexei e uma das irmãs, que inicialmente se acreditava ser Anastásia.

Durante quase duas décadas, essa ausência alimentou novas especulações, mas, em 2007, um grupo de arqueólogos localizou uma segunda cova, na qual encontrara restos mortais compatíveis com um adolescente e uma jovem. Mais tarde, exames genéticos confirmaram que pertenciam a Alexei e a uma de suas irmãs. Seria ela Anastasia ou Maria? A resposta é: Não sabemos, pois o teste apenas indica o sexo e a idade aproximada, não sendo possível dizer com certeza qual das meninas teria sido enterrada ao lado do irmão e qual junto aos demais membros da família.
A descoberta foi, no entanto, suficiente para fazer com que a hipótese sobre a sobrevivência do herdeiro do trono perdesse sustentação.
O mistério dos corpos
Talvez o maior combustível para todas essas teorias tenha sido justamente o desaparecimento dos corpos. Acontece que, após a execução, os bolcheviques transportaram os cadáveres para uma floresta, onde tentaram ocultá-los utilizando ácido sulfúrico, fogo e enterramentos improvisados. Como ninguém sabia exatamente onde estavam os restos mortais, surgiram histórias de que os corpos nunca haviam existido ou que pertenciam a outras pessoas.
Durante o período soviético, falar sobre o caso também era extremamente difícil e muitos documentos permaneceram secretos por décadas. Foi somente com o colapso da União Soviética, em 1991, que os primeiros restos mortais foram oficialmente exumados e analisados. Mais tarde, a descoberta da segunda cova praticamente completou o quebra-cabeça.
Hoje, a maior parte das antigas dúvidas sobre o destino dos Romanov foi respondida — isso graças à arqueologia e aos diversos trabalhos envolvendo análise genética. Na prática, as evidências científicas apontam para uma conclusão bastante sólida: Nicolau II, Alexandra, seus cinco filhos e os empregados que os acompanhavam morreram juntos na madrugada de 17 de julho de 1918. Ainda assim, devido ao fascínio que a história da família real russa desperta ainda hoje, algumas teorias seguem circulando por aí.